O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), até então uma das vozes mais estridentes da base de apoio da família Bolsonaro, rompeu o silêncio e disparou graves acusações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em declarações recentes que sacudiram os bastidores políticos, o parlamentar evangélico afirmou que o filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro teria chefiado um esquema de corrupção nos hospitais federais do Rio de Janeiro durante a gestão do pai.
Segundo Otoni, a resistência à candidatura de Flávio ao governo do estado ou a cargos majoritários não é uma questão meramente estratégica, mas ética. O deputado sustenta que as unidades de saúde federais no Rio foram loteadas politicamente sob a batuta do senador, resultando em um “mar de corrupção” que, segundo ele, já estaria no radar de órgãos de controle e de adversários políticos.
O racha na direita e as “rachadinhas”
A ofensiva de Otoni de Paula marca uma mudança drástica no seu posicionamento. Ex-vice-líder do governo Bolsonaro, ele agora critica abertamente o que chama de “falência moral” da política fluminense. Em entrevistas concedidas a canais de jornalismo independente e podcasts, o deputado relembrou o caso das “rachadinhas” na Alerj, afirmando que Flávio se tornou um “refém” do Judiciário e que o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro teria tido que “recuar” em suas posturas combativas para poupar o filho de uma possível cassação ou prisão.
“O país todo ficou refém por sua causa, Flávio”, disparou o deputado em um de seus desabafos públicos, sugerindo que o senador deveria ter “humildade para recuar” devido às “mãos sujas”.
Os tentáculos na saúde e no Governo Castro
Além da gestão federal, Otoni de Paula aponta que a influência de Flávio Bolsonaro se estenderia ao governo estadual de Cláudio Castro (recentemente declarado inelegível pelo TSE). O deputado afirma que o senador “nadou de braçada” na indicação de cargos estratégicos, não apenas na saúde, mas também na segurança pública, controlando nomeações de comandos da Polícia Militar e secretarias.
As denúncias surgem em um momento em que a direita brasileira tenta se reorganizar para os próximos pleitos, evidenciando uma fragmentação interna. Enquanto Otoni tenta se desvincular do rótulo de “bolsonarista raiz” para adotar uma postura de “independência cristã”, o clã Bolsonaro silencia sobre as acusações específicas de corrupção nos hospitais, tratando as falas do ex-aliado como traição política.
A repercussão dessas declarações coloca a saúde pública do Rio de Janeiro novamente no centro de investigações políticas, em um estado que historicamente sofre com escândalos de desvio de verbas no setor. Até o fechamento desta matéria, a assessoria do senador Flávio Bolsonaro não havia emitido uma nota oficial detalhada rebatendo as acusações de chefia de esquema criminoso na rede federal.




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