Mineração de terras raras em Goiás exige cautela e estudos aprofundados, alerta Fernando Camargo

​A euforia em torno do potencial mineral de Goiás para a transição energética global recebeu um banho de realidade. Em análise recente, Fernando Camargo, sócio da consultoria LCA, ponderou que o estado, embora promissor, ainda não pode ser classificado como um “lugar especial” ou definitivo para a exploração de terras raras sem que haja uma compreensão mais clara sobre a viabilidade econômica de suas reservas.

​O desafio da qualidade sobre a quantidade

​O debate central levantado pelo especialista não reside na ausência do mineral, mas na complexidade técnica e financeira para extraí-lo. As terras raras — fundamentais para a fabricação de ímãs de alta potência, turbinas eólicas e motores de carros elétricos — exigem processos de separação química extremamente sofisticados.

  • Estágio atual: Muitos projetos no estado ainda estão em fase de prospecção ou licenciamento inicial.
  • Diferencial competitivo: Para que Goiás se destaque no cenário global, dominado amplamente pela China, é necessário que o teor de pureza e a facilidade de processamento do material compensem os altos custos operacionais.
  • Investimento em pesquisa: Camargo enfatiza que a quantidade de minério no solo goiano precisa ser acompanhada de estudos de qualidade que garantam o retorno sobre o capital investido.

​Panorama do setor no Brasil em 2026

​O Brasil tem buscado se posicionar como uma alternativa estratégica à cadeia de suprimentos chinesa. Enquanto o governo federal e estadual promovem incentivos para o setor, o mercado mantém um olhar crítico sobre a execução desses projetos.

​”O entusiasmo com o potencial geológico é o primeiro passo, mas o mercado de terras raras é implacável com projetos que não apresentam viabilidade técnica de separação mineral,” aponta o setor de análise mineral.

A fala de Camargo serve como um lembrete de que, apesar do otimismo político e das manchetes entusiasmadas, a mineração de terras raras em solo goiano depende de um amadurecimento técnico que ainda está em curso. O estado possui o recurso, mas a transformação desse potencial em riqueza real exige mais ciência e menos expectativa.

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