Do campo ao concreto: como a indústria do chocolate movimenta R$ 42,5 bilhões unindo tradição e inovação

​O chocolate deixou de ser um item sazonal para se consolidar como uma potência econômica que movimenta R$ 42,5 bilhões no Brasil. Na estreia da série “Do Campo ao Concreto”, da EXAME, a jornada desse produto é revelada desde as lavouras tropicais até as prateleiras do varejo, destacando os desafios climáticos e a sofisticação de marcas como a Dengo.

​A origem: do fruto à amêndoa

​Tudo começa em regiões como o sul da Bahia (Ilhéus), Pará e Espírito Santo. O Brasil produz cerca de 200 mil toneladas de cacau por ano, em um processo que exige técnica rigorosa:

  • Colheita e Fermentação: Etapas cruciais que definem a qualidade sensorial do futuro chocolate [01:05].
  • Secagem: Prepara as amêndoas para o transporte até as indústrias.

​A transformação industrial

​Na fábrica, a “mágica” acontece através de processos que refinam a matéria-prima:

  1. Torra: Garante o aroma e o sabor característicos [01:21].
  2. Nibs e Licor: As amêndoas são quebradas em nibs e trituradas até formarem o licor de cacau.
  3. Refino e Conchagem: O chocolate é misturado por horas com açúcar e leite para obter uma textura lisa [01:48].
  4. Temperagem: Processo final que dá o brilho e o “snap” (estalo) ao quebrar o tablete [05:13].

​Desafios globais e o cenário de 2024-2025

​O mercado enfrenta uma volatilidade sem precedentes. Em 2024, os preços do cacau dispararam 180% devido a crises climáticas e doenças em grandes produtores como Gana e Costa do Marfim [02:01].

  • Impacto no Bolso: A indústria evitou repassar todo o custo ao consumidor para não tornar o produto inviável, mas adotou estratégias como a redução de gramatura (redução do tamanho sem alterar a embalagem) [03:27].
  • Exportações em Alta: Entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de chocolate e derivados avançaram 86%, somando quase US$ 1 bilhão, impulsionadas pela alta das commodities e pelo salto na qualidade do produto nacional.

​Tendências e sustentabilidade

​Empresas como a Dengo apostam na valorização do território nacional, utilizando apenas ingredientes 100% brasileiros, como frutas e castanhas nativas, excluindo itens como o pistache por não possuírem produção local em escala [06:02].

​Para 2025, as tendências apontam para:

  • Chocolate Plant-based: Crescimento de opções sem origem animal para atender o público vegano e flexitariano.
  • Consumo Consciente: 92% dos lares brasileiros consumiram chocolate em 2024, com uma média de 3,9 kg por pessoa ao ano, buscando cada vez mais rastreabilidade e impacto socioambiental positivo.

​A complexidade do setor mostra que, por trás de cada tablete, existe uma engrenagem que conecta pequenos produtores a gigantes do varejo, equilibrando custos globais e a paixão nacional pelo doce.

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