A paisagem urbana de Santos, mundialmente conhecida por seus edifícios inclinados, pode passar por uma transformação histórica nos próximos anos. Em uma movimentação estratégica iniciada em 2025 e consolidada no primeiro trimestre de 2026, a Prefeitura de Santos, liderada pelo prefeito Rogério Santos, e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) discutem um modelo de financiamento inédito para o reaprumo das edificações.
O novo plano de ação
O projeto foca em uma solução estrutural para cerca de 65 prédios que apresentam desvios mais acentuados, dentro de um universo de 319 imóveis monitorados pela administração municipal. A iniciativa ganhou fôlego com a criação da ACOPI (Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados), que atua como ponte entre os moradores e o poder público.
Diferente de intervenções isoladas do passado, o plano atual prevê:
- Linhas de crédito facilitadas: Uso de recursos do Fundo Clima do BNDES, já que a estabilização do solo está ligada à resiliência da cidade frente ao aumento do nível do mar.
- Tecnologia de ponta: Utilização de macacos hidráulicos de alta precisão e novas estacas profundas, técnica inspirada no sucesso do edifício Núncio Malzoni, o pioneiro a ser “desentortado” na cidade.
- Intervenção sem desocupação: Os estudos técnicos atuais, conduzidos por especialistas como o engenheiro Paulo Pimenta, buscam garantir que as obras ocorram com os moradores em seus apartamentos, minimizando o impacto social.
Por que os prédios entortaram?
A inclinação é fruto de um “erro” histórico de engenharia das décadas de 1940 a 1970. Na época, os prédios eram erguidos sobre fundações rasas (de 4 a 5 metros de profundidade) em um solo composto por uma densa camada de argila mole. Com o passar dos anos e o peso das estruturas, o solo cedeu de forma desigual, gerando o fenômeno visual que hoje atrai turistas, mas preocupa residentes.
Próximos passos e desafios
Embora a Prefeitura assegure que não há risco iminente de desabamento, a correção é vista como essencial para a valorização imobiliária e para evitar danos estruturais a longo prazo. O próximo estágio depende da entrega de projetos executivos individuais de cada condomínio para que o BNDES libere os repasses.
“O objetivo é transformar Santos em um canteiro de soluções tecnológicas, servindo de modelo global para cidades litorâneas que enfrentam desafios geológicos e climáticos”, afirmou a gestão municipal em reuniões recentes.
A expectativa é que as primeiras obras deste novo pacote comecem a sair do papel ainda este ano, mudando definitivamente a linha do horizonte da Baixada Santista.




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