Crise no BRB: investigações apontam que banco comprou crédito fantasma do Master ignorando alertas técnicos

A crise institucional e financeira no Banco de Brasília (BRB) atingiu um novo patamar de gravidade com o avanço da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Documentos e depoimentos obtidos por investigadores revelam que a cúpula da instituição pública ignorou pareceres técnicos e alertas de conformidade para realizar operações bilionárias com o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a descoberta do maior rombo bancário da história do país.

Entre as irregularidades mais alarmantes sob investigação está a aquisição, por duas vezes, de uma mesma Cédula de Crédito Bancário (CCB) sem garantias reais. O negócio teria sido fechado atropelando processos internos e antes mesmo da conclusão de pareceres jurídicos que recomendavam cautela extrema e a exigência de salvaguardas adicionais.

Rombo bilionário e indícios de fraude

Segundo as apurações mais recentes, o BRB injetou cerca de R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025. O objetivo dessas operações, de acordo com a Polícia Federal, seria inflar artificialmente a liquidez do Master para viabilizar uma posterior tentativa de compra da instituição pelo próprio BRB — um projeto batizado internamente de “Vértice”, que acabou vetado pelo Banco Central em setembro de 2025.

Funcionários do banco estatal, em depoimentos recentes, reforçaram a tese de que houve fraude intencional. Eles relataram que as compras de carteiras de crédito ocorreram sem o devido compliance, ignorando que muitos dos ativos eram, na prática, “créditos fantasmas” sem lastro.

Desdobramentos e bloqueio de bens

As consequências para a gestão do BRB foram imediatas e severas:

  • Afastamentos: O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e diretores como Dario Oswaldo de Garcia Junior foram afastados pela Justiça e posteriormente demitidos.
  • Bloqueio de Ativos: Em fevereiro de 2026, a Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio de R$ 376,4 milhões em ações do BRB pertencentes a investigados ligados ao grupo Master/Reag.
  • Prazo do BC: O Banco Central estipulou o dia 31 de março de 2026 como limite para que o BRB apresentasse uma solução para o rombo em seu balanço financeiro, prazo que venceu sem a entrega dos demonstrativos oficiais.

O caso agora também investiga possíveis conexões de lavagem de dinheiro, enquanto o governo do Distrito Federal tenta manobras para capitalizar o banco e evitar um colapso na liquidez da instituição pública.

Entenda a polêmica das transações entre BRB e Banco Master

Este vídeo detalha as investigações da Polícia Federal sobre a fraude bilionária e as conexões suspeitas que levaram ao afastamento da antiga diretoria do banco.

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