O clima nos bastidores da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) azedou após um encontro que deveria servir de alinhamento, mas acabou expondo fissuras na base governista. O que era para ser um almoço de cortesia entre o governador Ratinho Junior (PSD) e parlamentares da base aliada transformou-se em um “prato indigesto”, com relatos de cobranças ríspidas e um descontentamento latente sobre os rumos da sucessão estadual e a gestão de projetos polêmicos.
O estopim da crise
De acordo com relatos de deputados que participaram do encontro, a conversa travou em pontos sensíveis da agenda legislativa e na falta de espaço para demandas regionais. A insatisfação da bancada não é apenas com o cardápio, mas com a distribuição de recursos e a pressão para a aprovação de matérias de interesse do Palácio Iguaçu sem o devido debate prévio.
O cenário em 2026: Janela partidária e sucessão
A tensão ocorre em um momento crucial de reconfiguração de forças no Paraná. Com o fechamento da janela partidária neste início de abril de 2026, o cenário político estadual sofreu alterações significativas:
- Crescimento do PL: O partido de Sergio Moro dobrou suas bancadas na Alep e na Câmara Federal, consolidando-se como uma força que disputa o mesmo eleitorado de direita do PSD de Ratinho Junior.
- Fortalecimento do PSD: Apesar da concorrência, o partido do governador também ampliou seus quadros, recebendo nomes como Batatinha e Thiago Buhrer.
- Dança das Cadeiras: Nomes de peso como Alexandre Curi (agora no Republicanos) e Ney Leprevost (Republicanos) movimentam o tabuleiro para a sucessão ao governo, gerando ciúmes e insegurança na base fiel.
Pautas que “trancam” a pauta
Além das movimentações eleitorais, dois temas continuam a gerar desgaste na relação entre o Executivo e o Legislativo:
- Campanha Salarial e Funcionalismo: Servidores estaduais têm intensificado a pressão sobre os deputados por uma reposição inflacionária que chega a 12,84%. Líderes do governo na Alep tentam conter o avanço de greves, mas parlamentares temem o desgaste político em ano eleitoral.
- Privatizações e Gestão: Embora o governo tenha avançado com a privatização da Copel em anos anteriores, o monitoramento das tarifas e o desempenho de serviços públicos continuam sendo alvos de críticas da oposição e de setores da própria base que se sentem excluídos das decisões estratégicas.
Análise: O “Fico” de Ratinho e o futuro
Recentemente, especulações sobre a renúncia de Ratinho Junior para disputar o Senado foram dissipadas após um “dia do fico”, onde o governador reafirmou que permanecerá no cargo até o fim do mandato.
”O almoço apenas refletiu que a base não é um bloco monolítico. Há fome de espaço e sede de protagonismo que o Palácio Iguaçu terá dificuldade em saciar até outubro”, afirmou um parlamentar que preferiu não se identificar.
Com o fortalecimento de blocos independentes e a ascensão do PL no estado, o governo precisará de mais do que refeições protocolares para garantir a governabilidade e a eleição de um sucessor viável em outubro. A “indigestão” na Alep é o primeiro sinal de que o caminho até as urnas será de negociações árduas e pouca margem para erros.




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