Indígenas cobram celeridade de Lula em demarcações durante mobilizações em Brasília

Representantes de diversas etnias e organizações indígenas iniciaram uma série de mobilizações na capital federal com um objetivo central: pressionar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva por agilidade nos processos de demarcação de terras. Sob o lema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”, lideranças reforçam que, embora o diálogo tenha sido restabelecido, o ritmo das homologações ainda não atende ao passivo histórico e às promessas de campanha.

​De acordo com dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), até o primeiro trimestre de 2026, pelo menos 76 Terras Indígenas (TIs) já possuem os processos concluídos tecnicamente, aguardando apenas a assinatura presidencial para a homologação final. Outras 34 áreas dependem de portarias declaratórias a serem emitidas pelo Ministério da Justiça.

​O balanço e os entraves

​Desde o início de seu terceiro mandato, o presidente Lula homologou 20 territórios, totalizando cerca de 2,2 milhões de hectares protegidos. Entre as ações mais recentes, destacam-se as homologações ocorridas no final de 2024, como as TIs Potiguara de Monte-Mor (PB), Morro dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC). Em 2025, durante a COP30, o governo também anunciou o avanço de territórios como Cachu-yana Tunaiana (PA/AM) e áreas no Mato Grosso.

​Apesar dos avanços, o coordenador da Apib, Kleber Karipuna, pondera que o progresso é tímido diante da urgência dos povos que enfrentam invasões e insegurança jurídica. O principal entrave citado pelo governo para a demora em algumas assinaturas é a judicialização. O presidente Lula tem manifestado cautela para evitar que homologações sejam derrubadas imediatamente por decisões judiciais, especialmente em meio ao imbróglio jurídico do “Marco Temporal”.

​Expectativa de encontro no Planalto

​As lideranças indígenas que participam das marchas em Brasília esperam ser recebidas pessoalmente pelo presidente. O movimento busca entregar uma pauta atualizada que vai além das demarcações, incluindo:

  • Segurança territorial: Combate ao garimpo ilegal e retirada de invasores de terras já homologadas.
  • Saúde e Educação: Fortalecimento da Sesai e implementação de políticas específicas para a juventude indígena.
  • Crise Climática: Reconhecimento do papel dos territórios indígenas como a principal barreira contra o desmatamento, visando a COP30.

​O Ministério dos Povos Indígenas, sob o comando de Sonia Guajajara, tem atuado como ponte nesse diálogo, mas a pressão sobre o Palácio do Planalto aumenta conforme o calendário eleitoral e ambiental avança. Para os povos originários, a “caneta” de Lula é o instrumento necessário para garantir a sobrevivência física e cultural de centenas de comunidades que ainda aguardam o reconhecimento oficial de seus direitos ancestrais.

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