O ex-secretário de Comunicação Social da Presidência, Fabio Wajngarten, assumiu um papel central na estratégia de defesa e comunicação do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Documentos revelados nesta semana indicam que a empresa de Wajngarten, a WF Comunicação, recebeu pagamentos que somam R$ 3,8 milhões pela prestação de serviços ao ex-banqueiro.
Wajngarten, que ganhou notoriedade como um dos assessores mais próximos de Jair Bolsonaro, afirmou ter sido apresentado a Vorcaro no primeiro semestre de 2025, por meio de advogados que já compunham a banca de defesa do empresário. Segundo o ex-secretário, sua atuação ocorre de forma técnica e regular, com todos os valores devidamente declarados às autoridades competentes.
O contexto das investigações
A contratação de Wajngarten ocorre em um momento crítico para Daniel Vorcaro. O empresário é o pivô de uma investigação complexa que envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e a formação de uma rede de influência que alcançaria altos escalões da República.
- Prisão e Delação: Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025 e, após uma breve soltura, voltou à prisão em março de 2026. Atualmente, ele negocia um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
- Rede de Influência: Relatórios da Receita Federal e da PF apontam que o Banco Master teria aumentado drasticamente os pagamentos a empresas ligadas a políticos e autoridades entre 2023 e 2025, período em que a instituição buscava expandir sua influência em Brasília.
Políticos e autoridades citados
Além de Wajngarten, outros nomes de peso aparecem nos registros contábeis ligados ao banco ou ao seu ex-controlador. Entre os mencionados em documentos da investigação estão o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Guido Mantega e o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, além de pagamentos a escritórios de advocacia ligados a familiares de magistrados das cortes superiores.
Reações e desdobramentos
A defesa de Fabio Wajngarten sustenta que o trabalho é estritamente profissional e focado em “estratégia de comunicação e gestão de crise”. No entanto, o caso intensifica o escrutínio sobre as relações entre o Banco Master e figuras públicas.
No Congresso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou recentemente a quebra de sigilo de auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o banco, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) monitora os desdobramentos das mensagens encontradas nos dispositivos de Vorcaro, que sugeririam tentativas de contato direto com ministros da corte.
Nota: As investigações seguem sob sigilo de Justiça em diversas frentes, e os citados negam qualquer irregularidade em suas prestações de serviço.




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