SÃO PAULO – O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), oficializa nesta quinta-feira (16/04), em São Paulo, os pilares de seu plano de governo para a corrida presidencial de 2026. O evento marca uma nova fase em sua pré-campanha, caracterizada por um tom mais incisivo contra os Poderes em Brasília e a polarização com o governo federal.
Após renunciar ao cargo de governador em 22 de março para se dedicar integralmente à disputa nacional, Zema tem adotado uma retórica de enfrentamento direto. Entre as principais frentes de ataque do presidenciável estão o Supremo Tribunal Federal (STF) — com críticas nominais a ministros e ao que chama de “invasão de jurisdição” — e o Partido dos Trabalhadores (PT), com a promessa de “varrer o lulismo” do cenário político.
Os cinco pilares do plano econômico
Diferente da política tradicional, Zema aposta em uma agenda de privatizações radicais e reformas estruturantes. Segundo informações preliminares, o plano coordenado pelo economista Carlos da Costa (ex-secretário de Paulo Guedes) foca em:
- Privatização Total: Venda de todas as estatais federais, incluindo gigantes como Petrobras, Caixa Econômica e Banco do Brasil.
- Reforma Trabalhista: Flexibilização profunda das regras de contratação e defesa de jornadas de trabalho negociadas diretamente entre patrão e empregado.
- Redução do Estado: Corte drástico no “Custo Brasil” e diminuição do tamanho da máquina pública.
- Reforma da Previdência: Implementação de um “gatilho automático” para ajuste de alíquotas conforme o aumento da expectativa de vida.
- Abertura Comercial: Redução de tarifas de importação para aumentar a competitividade externa.
Discurso de “outsider” e independência
Apesar de ser um veterano de dois mandatos em Minas Gerais, Zema tenta resgatar a imagem de gestor que veio do setor privado. Recentemente, ele comparou a crise de confiança institucional a situações extremas e protocolou, ainda como governador, pedidos de impeachment contra magistrados da Suprema Corte, reforçando sua posição à direita no espectro político.
“Temos um sistema político que precisa de alguém de fora para dar uma chacoalhada. Quem pertence à política muitas vezes está acostumado a ver essas coisas e acha comum colocar pano quente”, afirmou Zema em agendas recentes.
Cenário de alianças
Mesmo sob pressão para compor chapas como vice — especialmente em rumores que o ligam a Flávio Bolsonaro (PL) — o candidato do Novo tem sido enfático ao dizer que manterá sua candidatura “até o final”. Ele defende que a direita deve ter múltiplos nomes no primeiro turno para enfrentar o PT, unindo-se apenas em uma eventual segunda etapa do pleito.
O evento em São Paulo deve reunir empresários e lideranças do partido Novo, servindo como termômetro para a viabilidade de sua proposta liberal-conservadora em um cenário nacional altamente fragmentado.




Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.