Justiça alertou Prefeitura de SP sobre exigência de ampliar ônibus meses antes da eleição
SÃO PAULO — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Justiça estadual haviam alertado a Prefeitura de São Paulo com meses de antecedência sobre as diretrizes operacionais de transporte coletivo para o período eleitoral. Apesar da existência de decisões prévias do Judiciário exigindo oferta de frota equivalente à de dias úteis em dias de votação, o dimensionamento do transporte municipal voltou ao centro de uma intensa disputa jurídica e política no pleito.
Segundo a administração municipal comandada pelo prefeito Ricardo Nunes, os ofícios expedidos pelos órgãos do Judiciário foram devidamente respondidos no prazo. A gestão argumentou que previu uma oferta de transporte proporcional e compatível com a demanda esperada de passageiros para o domingo de votação, afirmando ter adicionado mais de 2 mil ônibus à operação tradicional de fim de semana.
Impasse na véspera e queixas nos bairros
Às vésperas da votação, decisões da Justiça determinaram expressamente que a capital paulista operasse com 100% da frota sob pena de multa. No dia do pleito, porém, moradores de diversas regiões periféricas e de grande circulação — como Jaraguá, Vila Zilda, Avenida Ibirapuera e Estrada do M’Boi Mirim — relataram longas esperas nos pontos de parada e registros de veículos retidos em garagens e terminais.
Representantes de partidos de oposição acionaram a Justiça Eleitoral alegando que a cidade operou abaixo do limite exigido. Em resposta pública, Ricardo Nunes declarou que as determinações judiciais para ampliação máxima chegaram com margem operacional reduzida e argumentou que escalar a totalidade dos motoristas poderia impactar o direito de voto dos próprios trabalhadores do sistema de transporte.
Manifestação formal e pedido de isenção de sanções
Em petição encaminhada à Justiça, a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans sustentaram que cumpriram as obrigações operacionais e notificaram as concessionárias de transporte público repetidas vezes. A gestão defendeu que os veículos parados em garagens compunham a reserva técnica do sistema — destinada a substituições por eventuais falhas mecânicas ou ajustes de intervalo — e solicitou que não sejam aplicadas as multas previstas aos gestores públicos.
O caso segue sob análise das autoridades judiciais e do Ministério Público Eleitoral.
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