Após 32 anos de buscas, a Polícia Nacional do Paraguai, em colaboração com a Polícia Civil do Paraná, localizou e prendeu Marcos Panissa, condenado pelo brutal assassinato de sua ex-esposa, Fernanda Schiavo, ocorrido em 1993 em Londrina. O desfecho do caso, que se tornou um símbolo da impunidade no interior paranaense, revela os detalhes de uma vida clandestina mantida sob o manto de uma identidade falsa e uma aparente normalidade social.
A vida dupla no país vizinho
As investigações apontam que Panissa não vivia escondido em bunkers ou áreas isoladas. Pelo contrário, ele estava estabelecido em Santa Rita, uma cidade paraguaia com forte presença de imigrantes brasileiros. Sob o nome falso de Marcos de Souza, o foragido construiu uma estrutura de vida completa:
- Nova Família: Ele era casado e tinha filhos que, segundo informações preliminares, desconheciam seu passado criminoso no Brasil.
- Atividade Profissional: Atuava de forma discreta, evitando grandes exposições, mas perfeitamente integrado à comunidade local.
- Documentação: Utilizava documentos paraguaios ideologicamente falsos, o que dificultou o rastreamento pelas autoridades internacionais durante décadas.
O crime que chocou Londrina
O caso remonta a fevereiro de 1993. Fernanda Schiavo, na época com 22 anos, foi morta com mais de 40 facadas. O crime ocorreu na frente dos dois filhos do casal, que ainda eram crianças. Marcos Panissa foi julgado e condenado a 22 anos de prisão, mas conseguiu fugir logo após a sentença, aproveitando-se das brechas na vigilância e da facilidade de trânsito na fronteira.
O cerco da Interpol e da Polícia Civil
A captura foi fruto de um trabalho de inteligência que se intensificou nos últimos anos com o uso de novas tecnologias de cruzamento de dados. A Interpol emitiu o Alerta Vermelho (Red Notice), e a troca de informações entre os dois países foi crucial.
“Ele acreditava que o tempo havia apagado o rastro de sangue, mas a cooperação internacional provou que a justiça pode ser tardia, mas é persistente”, afirmou uma fonte da investigação.
Próximos passos judiciais
Com a prisão efetuada em solo paraguaio, Marcos Panissa foi entregue às autoridades brasileiras na ponte que liga os dois países. Ele agora deve ser encaminhado ao sistema prisional do Paraná para cumprir a pena determinada pela Justiça.
A defesa do condenado ainda não se manifestou publicamente sobre a prisão. O caso serve como um marco importante para as famílias de vítimas de feminicídio, reforçando que crimes de tamanha gravidade não prescrevem na memória social nem no rigor da lei, mesmo diante de décadas de fuga.




