Curitiba, abril de 2026 – O xadrez político para o Palácio Iguaçu entrou em uma fase decisiva. Em um movimento que encerra meses de especulações e intensas articulações de bastidores, o governador Ratinho Junior (PSD) oficializou nesta semana o nome do deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, como o seu pré-candidato oficial para a sucessão estadual.
A decisão, embora consolidada na base governista, não ocorre sem ruídos. Assim como as sucessões históricas citadas em análises políticas recentes — guardadas as devidas proporções com a Roma Antiga — a transição de poder no Paraná envolve a gestão de egos, alianças partidárias complexas e a tentativa de manter um legado administrativo sólido.
O “escolhido” e a estratégia do PSD
Sandro Alex desponta como a aposta de continuidade. Com o respaldo da máquina pública e a visibilidade de grandes obras, como a Ponte de Guaratuba e o pacote de concessões rodoviárias, ele terá o desafio de unificar uma base que, até poucos dias, estava pulverizada entre outros nomes de peso.
O governador Ratinho Junior, que goza de altos índices de aprovação, planeja renunciar ao cargo para disputar uma cadeira no Senado Federal, o que eleva a temperatura da disputa, pois quem assumir o governo interinamente terá papel fundamental na campanha.
Adversários de peso e dissidências
Apesar da escolha oficial, o caminho de Sandro Alex não será isento de obstáculos:
- Sergio Moro (PL): O senador aparece como o principal competidor nas pesquisas de intenção de voto. Filiado ao PL, Moro busca consolidar o voto conservador e “anti-Lula” no estado, contando com o recall eleitoral de 2022.
- Rafael Greca (PSD/MDB): O ex-prefeito de Curitiba e ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável mantém sua pré-candidatura ativa. Greca tem dado declarações fortes, afirmando que sua trajetória e obras pesam mais do que o apoio formal do governador, e busca o suporte de partidos como o MDB para viabilizar sua chapa.
- Alexandre Curi e Guto Silva: Nomes fortes do PSD que participaram ativamente das discussões. Curi, atual presidente da Assembleia Legislativa, é peça-chave na articulação com os municípios, enquanto Guto Silva representa a força do interior.
O fator federal
O cenário paranaense é um espelho da polarização nacional. Enquanto o grupo de Ratinho Junior tenta manter uma hegemonia regional, a oposição, liderada por nomes como Requião Filho, busca o apoio do presidente Lula para construir um palanque que ofereça resistência ao atual grupo governante.
As movimentações atuais indicam que a sucessão paranaense será uma das mais disputadas do país, com a Federação (União Brasil/PP) e o PL de Jair Bolsonaro jogando papéis cruciais na definição de quem herdará as chaves do Palácio Iguaçu. A “pax” política sonhada pelo atual governador dependerá, agora, de sua capacidade de manter a coesão de sua vasta base aliada diante de candidatos que prometem não recuar.




