Empresa de Ratinho e Banco Master sob suspeita em Marumbi exigem transparência

A pacata cidade de Marumbi, no interior do Paraná, tornou-se o epicentro de uma controvérsia que envolve cifras milionárias e nomes de peso do cenário nacional. A instalação de uma empresa ligada ao apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, e suas transações com o Banco Master estão sob forte questionamento após divergências entre os registros oficiais e a realidade física encontrada no local.

O contraste entre o papel e a realidade

Documentos apontam que a empresa, registrada sob a atividade de consultoria em gestão empresarial, teria movimentado cerca de R$ 21 milhões em pagamentos efetuados pelo Banco Master entre os anos de 2022 e 2025. Para se ter uma dimensão do impacto, esse valor representa aproximadamente dois terços de todo o orçamento anual do município de Marumbi previsto para 2026.
No entanto, a apuração conduzida pelo jornalista Gilmar Ferreira no endereço oficial da companhia — Avenida Tiradentes, 1030 — revelou um cenário inesperado. Em vez de um centro administrativo compatível com operações dessa magnitude, o local apresentava características de uma confecção infantil (La Baby), sem sinais visíveis de uma estrutura de consultoria empresarial robusta.

A trilha do imposto e as notas fiscais

A Prefeitura de Marumbi, que celebrou a arrecadação gerada pela empresa, apresentou relatórios com 45 lançamentos tributários que somam R$ 434.331,56 em valor principal de ISS. Contudo, os documentos também revelam que o imposto não foi recolhido integralmente dentro do prazo, registrando incidência de juros e multas.
A coincidência matemática chama a atenção:

  • Operação total: R$ 21 milhões.
  • Alíquota de ISS (2%): Resultaria em R$ 420 mil.
  • Valor lançado: R$ 434,3 mil (próximo ao cálculo sobre a movimentação total).

Relação com o Banco Master e o CredCesta

As investigações apontam que os pagamentos milionários ocorreram no mesmo período em que o apresentador Ratinho atuava como garoto-propaganda do CredCesta, um produto financeiro associado ao Banco Master. O produto chegou a enfrentar bloqueios em diversos estados, incluindo o Paraná, no final de 2025.

Questionamentos em aberto

A opinião pública e órgãos de controle agora buscam respostas para perguntas fundamentais:

  1. Atividade Real: Houve prestação efetiva de serviço de consultoria ou a sede em Marumbi serviu apenas como um “endereço fiscal” para emissão de notas?
  2. Infraestrutura: Como uma operação de R$ 21 milhões é gerida em um local que aparenta ser uma loja de roupas infantis?
  3. Transparência: Por que o Grupo Massa e o Banco Master não detalharam a natureza técnica dos serviços que justificaram repasses tão expressivos a uma pequena estrutura no interior?
    Enquanto o governo de Ratinho Junior tenta se desvincular dos negócios do pai, alegando que o governador não compõe o quadro societário das empresas citadas, o caso aumenta a pressão por uma explicação documentada e convincente que separe o marketing comercial de possíveis manobras fiscais ou políticas.

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