O Vaticano e o mundo relembram hoje o primeiro aniversário do falecimento do Papa Francisco, ocorrido em 21 de abril de 2025. Enquanto fiéis prestam homenagens ao pontífice que quebrou paradigmas como o primeiro jesuíta e sul-americano no trono de Pedro, uma nova obra literária joga luz sobre os bastidores de sua sucessão e a estratégia política que culminou na eleição de Robert Francis Prevost, agora Papa Leão XIV.
A obra intitulada The Election of Pope Leon XIV – The Last Surprise of Pope Francis (“A Eleição do Papa Leão XIV – A Última Surpresa do Papa Francisco”) é assinada por dois dos mais influentes vaticanistas da atualidade: a argentina Elisabetta Piqué e o irlandês Gerard O’Connell.
A estratégia do “Arquiteto Invisível”
Segundo o relato detalhado de Piqué e O’Connell, a eleição de Leão XIV não foi um acidente geopolítico, mas o resultado de uma pavimentação cuidadosa feita por Francisco nos anos que antecederam sua morte. O livro descreve como Francisco fortaleceu o perfil de Prevost dentro da Cúria Romana, especialmente ao nomeá-lo para cargos estratégicos que exigiam diplomacia e firmeza.
O ceticismo do sucessor
Um dos pontos mais impactantes da narrativa revela o estado de espírito de Robert Francis Prevost durante o conclave. O então cardeal entrou na Capela Sistina convencido de que sua nacionalidade seria um obstáculo intransponível.
“Prevost foi para o conclave convicto de que um americano jamais seria eleito, acreditando que as tensões políticas globais e a tradição europeia/latino-americana barrariam um nome dos Estados Unidos”, descrevem os autores.
Detalhes da obra e repercussão
O livro reconstrói os 17 dias de hiato entre o adeus a Francisco e o fumaça branca em 8 de maio de 2025. A publicação destaca:
- As articulações secretas: Como o bloco progressista se uniu em torno de um nome que garantisse a continuidade das reformas de Francisco.
- O fator surpresa: A velocidade com que o consenso foi atingido, surpreendendo até os observadores mais experientes.
- Disponibilidade: Lançado simultaneamente em inglês, francês e espanhol, o livro ainda aguarda uma editora para o mercado brasileiro, mas já é considerado o documento definitivo sobre a transição de poder na Igreja Católica no século XXI.
O legado de um ano sem Francisco
Enquanto o livro domina as discussões intelectuais em Roma, as celebrações deste 21 de abril focam no impacto social de Francisco. Seu pontificado, marcado pela encíclica Laudato si’ e pelo foco nas “periferias do mundo”, é visto hoje como o alicerce para os primeiros passos de Leão XIV, que tem buscado manter o diálogo inter-religioso e a reforma administrativa da Santa Sé como prioridades.
A eleição de Prevost, o primeiro papa estadunidense, simboliza, segundo os autores, a “última surpresa” de um papa que dedicou sua vida a mostrar que a Igreja deve chegar a todos os cantos do mapa.




