A divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest, nesta segunda-feira (27 de abril de 2026), trouxe um paradoxo para o cenário político paranaense. Enquanto o governador Ratinho Junior (PSD) ostenta uma aprovação sólida de 80%, seus principais aliados e pré-candidatos para o próximo pleito não conseguem converter esse prestígio em intenções de voto.
O impasse no Senado: Cristina Graeml e o “Teto” de 4%
A jornalista Cristina Graeml, recentemente filiada ao PSD, aparece com apenas 4% das intenções de voto para o Senado Federal em um dos principais cenários testados. Mesmo em simulações mais restritas, seu desempenho máximo chega a 10%, ficando distante dos líderes Alvaro Dias (MDB) e Deltan Dallagnol (Novo), que polarizam a disputa.
A dificuldade de Graeml em decolar levanta questionamentos internos no partido sobre a viabilidade de sua candidatura majoritária. Nos bastidores, o nome da jornalista já começa a ser ventilado como uma possível alternativa para a composição de chapa, ocupando a vaga de vice na disputa pelo Palácio Iguaçu.
Sucessão estadual: Sandro Alex não empolga o eleitorado
O cenário para o governo do estado não é diferente. Escolhido oficialmente por Ratinho Junior no último dia 13 de abril para ser seu sucessor, o deputado federal Sandro Alex (PSD) enfrenta um início de caminhada difícil.
- Vantagem de Moro: O senador Sergio Moro (PL) lidera a corrida com 35% a 42% das intenções de voto, dependendo do cenário.
- Desempenho de Sandro Alex: Em um eventual segundo turno contra Moro, Sandro Alex somaria apenas 15%, evidenciando que a “máquina” estadual e o apoio do governador ainda não foram suficientes para mobilizar o eleitor.
O fenômeno do descolamento de imagem
Especialistas e analistas políticos buscam entender por que a alta popularidade de Ratinho Junior (apenas 13% de desaprovação) não irriga as pré-candidaturas de seu grupo político.
“Há um descompasso claro entre a avaliação da gestão e a transferência de votos. O eleitor paranaense parece separar o reconhecimento pelo trabalho executivo da escolha de novos representantes, especialmente quando os nomes apresentados ainda não possuem o recall de figuras como Moro ou Alvaro Dias”, aponta o levantamento.
A pesquisa Quaest ouviu 1.104 eleitores entre os dias 21 e 25 de abril de 2026, em 59 cidades. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o registro no TSE é o PR-02588/2026. O resultado acende o sinal amarelo no Palácio Iguaçu: se a estratégia não mudar, o PSD corre o risco de ver seu capital político ser diluído por nomes da oposição ou de aliados independentes antes mesmo do início oficial da campanha.




