O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) acolheu o recurso interposto pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e decidiu que todos os 25 crimes atribuídos ao padre Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, serão processados e julgados na comarca de Cascavel. A decisão unifica as ações, impedindo a fragmentação do processo em diferentes cidades onde os abusos teriam ocorrido.
Genivaldo, que atuava como sacerdote há 12 anos em diversas paróquias da região Oeste, está preso preventivamente desde agosto de 2025. Inicialmente, o religioso foi denunciado por 21 crimes, mas o MPPR aditou a denúncia após novos depoimentos, elevando o total para 25 delitos cometidos contra 16 vítimas identificadas até o momento. As vítimas, com idades entre 12 e 48 anos na época dos fatos, incluem jovens da comunidade católica e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Detalhes das investigações e novas denúncias
As investigações da Polícia Civil apontam que o padre utilizava sua posição de autoridade religiosa para atrair as vítimas. Relatos indicam que ele realizava festas com bebidas alcoólicas e, em certos casos, teria dopado jovens sob o pretexto de oferecer tratamentos para dependência química. Os crimes teriam ocorrido entre 2010 e 2019, em cidades como Cascavel, Santa Lúcia, Boa Vista da Aparecida e até no Rio de Janeiro.
O aditamento mais recente à denúncia incluiu abusos contra três vítimas de uma mesma família. Diante da gravidade e da quantidade de acusações, a polícia estima que as penas somadas, em caso de condenação máxima, podem ultrapassar os 500 anos de reclusão.
Desdobramentos na Igreja e pedidos de indenização
Além da esfera criminal, o Ministério Público solicitou que o réu pague indenizações por danos morais e materiais às vítimas, com valores que variam de R$ 20 mil a R$ 150 mil por pessoa.
No âmbito eclesiástico, a Arquidiocese de Cascavel suspendeu o padre de suas funções assim que as denúncias foram formalizadas. Um processo administrativo canônico foi instaurado e os autos devem ser encaminhados ao Vaticano. Caso a Santa Sé confirme as práticas de pedofilia e abusos, Genivaldo poderá sofrer a demissão do estado clerical, perdendo definitivamente o título de padre.
Atualmente, o acusado permanece detido no Complexo Médico Penal, em Curitiba, para onde foi transferido após tentativas de contato insistente com testemunhas enquanto ainda estava em Cascavel. A defesa do religioso sustenta sua inocência e afirma que provará que as acusações são infundadas no decorrer da instrução processual.




