Prefeito de Morretes culpa empresa por atraso na reforma da Escola Dulce e gera indignação na comunidade escolar

O prefeito de Morretes utilizou suas redes sociais para tentar justificar o prolongado atraso nas obras de reforma da Escola Municipal Dulce Seroa da Motta Cherobim. Em vídeo, o chefe do Executivo atribuiu a responsabilidade exclusiva à empresa contratada, alegando o descumprimento de prazos. No entanto, o pronunciamento não acalmou os ânimos de pais e professores, que questionam a eficácia da fiscalização municipal.

O imbróglio das obras paralisadas

A reforma, cujo contrato foi firmado em julho de 2025 no valor de R$ 223 mil, deveria ter sido um alento para a comunidade. Contudo, os trabalhos só começaram em novembro do mesmo ano, já com meses de atraso. De acordo com informações apuradas, até o momento apenas cerca de R$ 56 mil foram pagos à empreiteira, e o canteiro de obras é descrito por moradores como “abandonado”.
O prazo original de 180 dias para a conclusão já expirou, e o que se vê no local é o silêncio das máquinas e o avanço do mato. Para os pais, a justificativa do prefeito soa como uma tentativa de transferir a culpa por uma falha que também é de gestão.

“A prefeitura não tem responsabilidade na fiscalização? Se a empresa não cumpre o contrato, o município precisa agir rapidamente e não deixar as crianças no improviso por tempo indeterminado”, questiona uma mãe de aluno.

Decisão judicial e alunos no “improviso”

A situação da Escola Dulce ultrapassou os limites do debate político e chegou ao Judiciário. Em fevereiro de 2026, a Vara da Infância e da Juventude de Morretes atendeu a um pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR) e determinou que a prefeitura realocasse os cerca de 300 alunos para um local adequado.
Atualmente, as crianças estão assistindo aulas em salas adaptadas dentro da própria sede da prefeitura e em outros espaços improvisados. Embora a administração municipal alegue ter estruturado o local, as famílias relatam:

  • Dificuldades de transporte: Alunos que levavam cinco minutos para chegar à escola agora dependem de ônibus e perdem tempo no trajeto.
  • Estrutura inadequada: Falta de conforto térmico e espaços que não reproduzem o ambiente pedagógico de uma escola real.
  • Insegurança: O Ministério Público destacou riscos na circulação de veículos e falta de acessibilidade nas instalações temporárias.

O que diz a gestão municipal

A prefeitura reitera que está tomando as medidas administrativas legais contra a empresa para garantir a retomada dos serviços. No entanto, não foi apresentada uma nova data concreta para a entrega da unidade escolar. Enquanto o jogo de empurra continua, o ano letivo de 2026 segue marcado pela incerteza para centenas de famílias morretenses.

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