Crise hídrica atinge famílias indígenas em área da Itaipu no Paraná

A situação humanitária em novos assentamentos indígenas no Paraná acendeu um alerta entre pesquisadores e órgãos de fiscalização. Mais de 50 famílias indígenas, recentemente realocadas para áreas adquiridas pela Itaipu Binacional, estão recorrendo ao consumo de água de riachos e fontes não tratadas devido à ausência de uma rede de abastecimento estruturada.
A denúncia, que aponta graves riscos à saúde pública e à segurança alimentar das comunidades, revela o descompasso entre o processo de reassentamento e a garantia de infraestrutura básica.

Os principais pontos da crise

Atualmente, o cenário nas aldeias é de precariedade. Onde deveria haver acesso direto a recursos hídricos, as famílias enfrentam:

  • Dependência de caminhões-pipa: O fornecimento atual é paliativo, realizado de forma intermitente por veículos que transportam água até os reservatórios comunitários.
  • Consumo de fontes inseguras: Na falta do caminhão-pipa, os moradores utilizam água de pequenos riachos da região para beber, cozinhar e realizar a higiene pessoal.
  • Risco sanitário: Pesquisadores que monitoram a região alertam para a possibilidade de surtos de doenças de veiculação hídrica, como diarreia aguda e infecções parasitárias, especialmente em crianças e idosos.

O posicionamento da Itaipu Binacional

Em resposta aos questionamentos, a Itaipu Binacional informou que está ciente das limitações infraestruturais das áreas adquiridas. A estatal afirmou que:

  1. O processo de compra das terras visava atender a demandas históricas de reparação, mas a implementação de serviços públicos depende de convênios multi-institucionais.
  2. Já existem projetos e previsão de obras para a perfuração de poços artesianos e a instalação de sistemas de distribuição de água potável em todas as unidades habitacionais indígenas.
  3. A binacional reforçou que o suporte por caminhão-pipa continuará sendo realizado de forma emergencial até que as obras definitivas sejam concluídas.

Contexto e desdobramentos

O reassentamento dessas famílias faz parte de um plano de mitigação de impactos sociais e territoriais. No entanto, para antropólogos e especialistas em saúde indígena, a entrega da terra sem a garantia imediata de água potável fere direitos fundamentais previstos na Constituição e em tratados internacionais.
A expectativa é que o Ministério Público Federal (MPF) acompanhe o cronograma das obras prometidas pela Itaipu para garantir que o acesso à água deixe de ser uma medida emergencial e se torne um direito plenamente assegurado.

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