A produtora Brasil Paralelo está no centro de uma nova controvérsia jurídica e ética após o lançamento de seu mais recente documentário, “Pedagogia do Abandono”. Educadores e pesquisadores acusam o portal de extrema direita de utilizar fotografias sem consentimento e de manipular fatos para promover uma agenda política que criminaliza o pensamento de Paulo Freire, patrono da educação brasileira.
O estopim da crise acadêmica partiu do Núcleo de Educação Popular (NEP), sediado no Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Segundo a Profa. Dra. Ivanilde Apoluceno de Oliveira, uma foto de um seminário realizado no auditório Paulo Freire da instituição foi incluída nas produções da Brasil Paralelo de forma indevida. “Eles se apropriam da foto de pessoas sem consentimento para caluniar tanto o Paulo Freire quanto aqueles que pesquisam sua obra”, afirmou a docente em nota de repúdio.
O documentário e as acusações de “dogma religioso”
Lançado em abril de 2026, “Pedagogia do Abandono” alega que os cursos de pedagogia no Brasil transformaram as ideias de Freire em “dogmas religiosos” e que sua metodologia seria a principal responsável pela precariedade das escolas públicas. A produção utiliza uma narrativa que associa o pensamento freiriano a uma suposta “militância ideológica” que ignoraria evidências científicas de desenvolvimento infantil.
Contudo, a comunidade acadêmica rebate as críticas, classificando-as como “distorções politiqueiras”. Especialistas defendem que a obra de Freire foca na autonomia e na leitura crítica do mundo, e não na doutrinação.
Histórico de polêmicas e irregularidades
O caso da UEPA não é isolado. Recentemente, a Brasil Paralelo enfrentou outras denúncias graves:
- Uso de imagem de menores: Uma influenciadora denunciou o portal pelo uso não autorizado da imagem de seu filho em peças publicitárias, onde a voz da criança teria sido substituída por dublagem ou inteligência artificial para proferir frases que ela nunca disse.
- Sigilo em gravações: A Prefeitura de São Paulo foi questionada judicialmente após colocar sob sigilo as autorizações de gravação da produtora em creches municipais.
- Dados falsos: Em 2025, uma investigação da Agência Pública revelou que a produtora utilizou um laudo falso em um documentário para atacar a Lei Maria da Penha, o que reforça o histórico de falta de rigor técnico e ético apontado por seus críticos.
Campanha de repúdio
Em resposta, o NEP e outros coletivos de educação iniciaram uma campanha nacional de denúncias contra o portal. Uma nota coletiva está circulando para colher assinaturas de instituições e profissionais da educação, exigindo a retirada imediata das imagens utilizadas sem autorização e a reparação histórica pelo que chamam de “campanha de difamação do legado educacional brasileiro”.
Até o fechamento desta matéria, a Brasil Paralelo não se manifestou oficialmente sobre as acusações de uso indevido de imagem na UEPA. O espaço segue aberto para o posicionamento da produtora.




