Agro

Produtores perdem R$ 1.200 por vaca com mastite e especialistas da UFSM alertam para prejuízos silenciosos

A mastite continua sendo o principal “ralo” financeiro da pecuária leiteira no Brasil. Um estudo detalhado conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) quantificou o impacto real no bolso do produtor: em um grupo de apenas 21 vacas monitoradas, o prejuízo total somou R$ 25.535,21. Na ponta do lápis, isso representa uma perda média superior a R$ 1.200,00 por animal afetado.

O peso financeiro da enfermidade

Os custos apontados pela UFSM não se limitam apenas ao valor do medicamento. O estudo revela que a “fatura” da mastite é composta por uma combinação de fatores que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia da fazenda:

  • Queda na produtividade: A redução no volume de leite produzido pela vaca inflamada.
  • Descarte compulsório: O leite com resíduos de antibióticos que não pode ser comercializado.
  • Custos veterinários: Gastos com fármacos e honorários profissionais.
  • Substituição precoce: A necessidade de descartar vacas crônicas que deixam de ser produtivas.

Panorama atual: A inflação dos custos de produção

Em 2024 e início de 2025, o cenário tornou-se ainda mais desafiador. Com a alta nos custos de insumos e medicamentos veterinários, a prevenção deixou de ser uma opção para se tornar uma estratégia de sobrevivência econômica. Dados recentes do setor indicam que a mastite subclínica — aquela que não é visível a olho nu — é responsável por cerca de 70% das perdas totais, pois diminui a qualidade do leite (aumentando a Contagem de Células Somáticas – CCS) e reduz o pagamento de bônus por qualidade pelos laticínios.

Métodos de prevenção: O caminho para estancar as perdas

Especialistas e técnicos da área reforçam que o manejo é a ferramenta mais barata e eficaz. De acordo com protocolos de bem-estar animal e higiene, os pilares da prevenção incluem:

  1. Linha de Ordenha: Ordenhar primeiro as vacas sadias e, por último, aquelas que já tiveram histórico de infecção, evitando a transmissão cruzada.
  2. Pré e Pós-dipping: A desinfecção rigorosa dos tetos antes e depois da ordenha é essencial para eliminar microrganismos.
  3. Ambiente Limpo: Manter as áreas de descanso (seja no Free Stall, Compost Barn ou pasto) secas e higienizadas.
  4. Monitoramento Constante: Realização frequente do Teste de CMT (California Mastitis Test) e análises laboratoriais de CCS para identificar casos iniciais.

“O segredo não está em como tratar a mastite, mas em como não deixar que ela aconteça. O custo da prevenção é, em média, dez vezes menor do que o custo do tratamento e do leite perdido”, afirmam técnicos do setor.

Inovação no campo

As novidades mais recentes no combate à doença envolvem o uso de seulantes de teto mais eficientes e o investimento em genética, selecionando animais com maior resistência natural a infecções intramamárias. Além disso, sistemas de monitoramento digital por sensores já permitem identificar alterações de temperatura e comportamento antes mesmo dos primeiros sintomas clínicos aparecerem.

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