Traiano testa Cristina Graeml nas pesquisas e abre crise no grupo político de Ratinho Junior

​O cenário político do Paraná entrou em ebulição com os desdobramentos provocados por um levantamento interno encomendado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Ademir Traiano (PSD). A inclusão do nome da jornalista Cristina Graeml em simulações para cargos majoritários expôs divisões profundas e acendeu o sinal de alerta no núcleo político comandado pelo governador Ratinho Junior.

​A movimentação de Traiano ocorre logo após a surpreendente filiação de Graeml ao PSD. Adversária ferrenha do partido nas eleições municipais de Curitiba em 2024 — quando disputou o segundo turno contra Eduardo Pimentel —, a jornalista migrou para a legenda governista após um rearranjo partidário provocado pela saída do senador Sergio Moro do União Brasil em direção ao PL, o que a havia deixado sem legenda viável para as eleições.

​Ao testar a força eleitoral de Graeml, Traiano provocou forte incômodo em alas tradicionais do palácio governamental. O grupo de Ratinho Junior, que já lidava com o desafio de acomodar diferentes forças políticas locais de olho no pleito, vê a ascensão meteórica e os testes envolvendo a recém-chegada como um fator de desestabilização. Graeml, que conta com forte apelo junto ao eleitorado conservador e bolsonarista mais radical, já admitiu publicamente que foi instada pelo próprio governador a ampliar seus horizontes e considerar, inclusive, uma composição como vice-governadora na chapa majoritária, além de seus planos iniciais para o Senado.

​A crise interna reflete o dilema do PSD paranaense: ao mesmo tempo em que tenta fagocitar lideranças da direita para neutralizar a oposição e encorpar um projeto nacional para Ratinho Junior, a entrada de figuras de fora do ecossistema tradicional gera forte resistência dos aliados históricos. Enquanto o presidente da ALEP joga com os números das pesquisas de consumo interno para calibrar as forças do partido, os bastidores do Palácio Iguaçu operam para conter os danos e evitar que o racha inviabilize a unidade do grupo na disputa majoritária.


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