Justiça aceita denúncia contra esposa de Ricardo Arruda e afasta servidor da Alep

​A 2ª Vara Criminal de Curitiba acolheu a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), contra quatro investigados por envolvimento em um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Entre os novos réus está a esposa do deputado estadual Ricardo Arruda (PL).

​Além de aceitar a denúncia criminal, a decisão judicial determinou o afastamento imediato de Bruno Palazzo de suas funções públicas. Ele ocupava um cargo comissionado dentro da estrutura do Legislativo estadual e é apontado pelas investigações do Ministério Público como o principal operador financeiro do esquema. De acordo com o Gaeco, o afastamento tem como objetivo evitar eventuais interferências na coleta de provas e garantir o regular andamento do processo criminal.

​As investigações apontam que os crimes de concussão e lavagem de dinheiro foram praticados de forma continuada entre os anos de 2018 e 2023. O grupo operava exigindo o repasse obrigatório de parte dos salários de servidores comissionados nomeados para o gabinete. Estima-se que o esquema tenha movimentado e desviado aproximadamente R$ 132,8 mil dos cofres públicos nesse período.

​Conforme detalhado pelo Ministério Público, nos episódios mais recentes mapeados em 2023, os acusados atuavam diretamente na coação dos servidores e na estruturação de mecanismos financeiros para ocultar a origem e o destino do dinheiro. Para disfarçar o recebimento dos valores ilícitos, o grupo utilizava depósitos fracionados em contas bancárias e outras estratégias de ocultação patrimonial.

​O deputado estadual Ricardo Arruda não foi incluído nesta ação específica porque já responde formalmente a outra denúncia oferecida pelo Ministério Público sobre os mesmos fatos perante o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), devido ao foro por prerrogativa de função.

​Em nota divulgada à imprensa na qual afirma representar os quatro novos réus do processo, o deputado Ricardo Arruda declarou que as acusações são inteiramente inverídicas. O parlamentar reiterou que possui plena confiança nos trabalhos desenvolvidos pela Justiça do Paraná e assegurou que, ao longo da instrução processual, a verdade será restabelecida com a consequente absolvição de todos os envolvidos das acusações formuladas pelo Gaeco.


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