Amorim diz que relação Brasil-Argentina vive pior momento da história e acusa Milei de quebrar protocolo diplomático
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que as relações entre Brasil e Argentina atravessam o pior momento de sua história. Em entrevista publicada neste sábado (31), ele atribuiu a crise à postura do presidente argentino, Javier Milei, e disse que o governo vizinho “quebrou o protocolo mínimo para as relações diplomáticas”.
“É o pior momento da relação Argentina-Brasil, mas não por nossa causa. Nós não fizemos nenhuma agressão à Argentina”, declarou Amorim à jornalista Janaína Figueiredo, do UOL. Segundo o diplomata, o desrespeito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Brasil e às eleições brasileiras ultrapassa as divergências ideológicas entre os dois governos.
Rebaixamento diplomático e ataques de Milei
A crise se intensificou após uma série de ofensas de Milei a Lula. Em agosto, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível de representação diplomática bilateral ao de encarregados de negócios, em resposta a ataques em que o argentino chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto”. Os embaixadores de ambos os países foram chamados de volta, e as embaixadas passaram a ser chefiadas por encarregados de negócios.
Amorim afirmou que a medida não será permanente, mas não acredita em uma reversão no curto prazo. “Depende apenas de respeito mútuo”, disse. Ele também descartou entrar em uma disputa pública com Milei: “Não queremos ficar em bate-boca. Deixe ele falar para as paredes ou para quem ele quiser”.
Episódio Flávio Bolsonaro amplia tensão
A tensão aumentou ainda mais com o envolvimento do governo argentino na passagem do senador Flávio Bolsonaro pelo território argentino durante fuga para os Estados Unidos. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina em Brasília para pedir esclarecimentos sobre o episódio. O porta-voz de Milei, Manuel Adorni, chegou a afirmar que o governo argentino ajudou o senador a escapar do que classificou como perseguição política.
Reação argentina
O governo argentino, por meio de sua Chancelaria, lamentou a decisão brasileira de rebaixar as relações e disse que o Brasil “se isola do restante da região por razões puramente ideológicas”. A gestão Milei também afirmou que nunca respondeu a divergências políticas com medidas institucionais.
Perspectivas
Apesar do cenário negativo, Amorim destacou que a Argentina foi o único país da América do Sul que não cumprimentou Lula pela vitória eleitoral, o que, segundo ele, não pode ser explicado apenas por diferenças ideológicas, já que outros governos de direita reconheceram o resultado. O diplomata reforçou que o Brasil segue disposto ao diálogo, desde que haja respeito mútuo, mas que a normalização não deve ocorrer em curto prazo.
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