Candidatos nas eleições de 2026 acumulam R$ 120 milhões em multas ambientais pendentes
Um levantamento inédito realizado a partir do cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com registros do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) revelou que 101 postulantes aos cargos das eleições de 2026 somam cerca de R$ 120 milhões em autos de infração ambiental sem quitação. O mapeamento considerou autuações lavradas a partir de 1º de janeiro de 2017.
A maior parte do montante está concentrada em candidaturas voltadas ao Poder Legislativo e em regiões sob forte pressão de desmatamento. A Amazônia Legal responde por mais da metade dos candidatos identificados (53 nomes) e por 117 dos 190 autos de infração catalogados. O estado do Pará lidera em volume de recursos cobrados, somando cerca de R$ 77 milhões em pendências.
Tipos de infrações e concentração dos valores
A maioria das autuações está relacionada a danos praticados contra a flora (119 registros), abrangendo casos como desmatamento não autorizado e degradação florestal. O restante divide-se entre infrações relativas à fauna e à administração ambiental.
Os dados mostram ainda que os débitos estão fortemente concentrados: apenas dois candidatos respondem por aproximadamente 64% do montante global apurado no levantamento. A maior sanção individual identificada é de R$ 50 milhões, valor que se encontra atualmente com a exigibilidade suspensa por determinação da Justiça enquanto o autuado questiona o processo.
Estágio dos processos e direitos de defesa
A existência do auto de infração marca o início do procedimento administrativo. Grande parte das cobranças listadas encontra-se na fase preliminar — como prazos abertos para apresentação de defesa ou análise de recursos administrativos —, além de casos que já foram inscritos na Dívida Ativa da União. Enquanto os trâmites legais não forem concluídos na esfera administrativa ou judicial, a cobrança efetiva das sanções financeiras permanece sobrestada.
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