A divulgação dos mais recentes indicadores econômicos do Chile acendeu um forte sinal de alerta na América Latina, surpreendendo negativamente analistas e agentes financeiros. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) chileno apresentou crescimento nulo em relação ao trimestre anterior e uma queda de 0,2% na comparação anual, quebrando as expectativas do mercado, que projetava uma expansão de 0,3%.
O resultado econômico frustrante marca o primeiro balanço completo sob o mandato do presidente de extrema-direita José Antonio Kast, que assumiu o cargo em março. Aliado político do mandatário argentino Javier Milei, Kast iniciou sua gestão aplicando reformas de orientação fortemente liberal.
Entre as principais decisões econômicas adotadas pelo governo chileno esteve a liberação dos preços dos combustíveis. No entanto, a medida coincidiu com a alta cotação do petróleo no cenário internacional — exacerbada pelo conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã —, resultando no maior aumento do preço da gasolina no país desde a década de 1980. O forte impacto no custo de vida atingiu diretamente a classe média, pressionou o consumo das famílias e agravou um cenário já delicado de elevado desemprego e impactos climáticos no setor produtivo.
O fraco desempenho do Chile reforça as incertezas sobre a eficácia do modelo econômico adotado por lideranças de direita e extrema-direita no continente. O revés chileno junta-se às dificuldades enfrentadas pela Argentina de Javier Milei, que também vem registrando desaceleração e retratamento em sua atividade econômica nos últimos meses.
Com as duas maiores vitrines da direita sul-americana enfrentando sinais de estagnação, investidores e economistas observam com cautela os desdobramentos na região, enquanto os governos locais passam a ser cobrados por respostas rápidas capazes de conter a inflação e reativar o crescimento econômico.
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