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Doença de Newcastle derruba ações da MBRF, dona da Sadia; o que dizem os bancos

Doença de Newcastle derruba ações da MBRF, dona da Sadia; o que dizem os bancos

​As ações da MBRF (MBRF3), holding dona das marcas Sadia e Perdigão, fecharam em forte queda na B3 após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. O episódio ligou o sinal amarelo no setor de proteínas animais e mobilizou o mercado financeiro, que agora avalia os potenciais danos às exportações brasileiras de carne de frango, especialmente para mercados estratégicos como a China.

​Com a formalização da emergência zoossanitária decretada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) por um período inicial de 60 dias — abrangendo o município afetado e cidades vizinhas —, grandes instituições financeiras atualizaram suas projeções para o setor frigorífico.

​O JPMorgan avalia que o cenário atual evoca lições aprendidas em episódios semelhantes ocorridos em 2024. Na visão do banco americano, o impacto sobre as vendas tende a ser limitado e temporário, caso as restrições internacionais fiquem restritas a zonas geográficas específicas e não se transformem em um embargo nacional prolongado. Estima-se que o estado catarinense responda por uma fatia entre 10% e 20% das exportações totais de aves da MBRF e da Seara (JBS), o que mitiga os danos se o cerco sanitário for localizado.

​Por outro lado, o Itaú BBA adota um tom de cautela mais acentuado. O banco alerta que eventuais embargos e os custos adicionais com o manejo de contenção e redirecionamento de mercados podem pressionar as margens operacionais das companhias nos próximos trimestres. Essa pressão operacional viria somada a um ambiente de custos ainda desafiador para a alimentação dos animais, guiado pela volatilidade nos preços dos grãos.

​Enquanto as autoridades sanitárias intensificam o monitoramento de dezenas de propriedades na região de restrição de dez quilômetros ao redor do foco, o desfecho da crise recae agora sobre as decisões de parceiros comerciais do Brasil. A reação de governos estrangeiros ditará o ritmo da volatilidade para os papéis da MBRF e de concorrentes do setor na bolsa nos próximos pregões. 


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