A Polícia Judiciária de Portugal, no âmbito da “Operação White Sugar”, prendeu os empresários brasileiros Marcelo Sousa Costa e Douglas Soriano Júnior sob a acusação de liderarem um esquema internacional de tráfico de drogas. A dupla é investigada por importar cerca de 900 kg de cocaína, com valor de mercado estimado em mais de 60 milhões de euros (aproximadamente R$ 350 milhões), ocultos em carregamentos de açúcar vindos do Brasil.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Vila Nova de Famalicão, o entorpecente desembarcou no Porto de Leixões, em Matosinhos, distribuído em dez contêineres. A droga, que apresentava elevado grau de pureza, estava camuflada entre centenas de sacos de 50 quilos de açúcar para simular uma operação de comércio legítimo de alimentos.
O papel dos envolvidos e o esquema de fachada
As autoridades portuguesas apontam Marcelo Sousa Costa como o mentor da organização, responsável pela coordenação das importações e pela constituição das empresas de fachada em solo europeu. Douglas Soriano Júnior atuaria como o braço direito, cuidando da gestão financeira e da movimentação dos fundos do grupo. O esquema contava ainda com a colaboração de um cidadão português, responsável pela abertura das empresas, e outros dois brasileiros que davam suporte logístico.
A operação que culminou na prisão ocorreu na última quinta-feira (23), data em que os suspeitos tinham passagens compradas para retornar ao Brasil. Diante do risco de fuga, a Justiça de Portugal decretou a prisão preventiva dos empresários neste sábado (25).
Contraponto da defesa
Em nota oficial, os advogados Eduardo Maurício e Octávio Rolim, que representam Marcelo e Douglas, negaram qualquer envolvimento de seus clientes com o crime. A defesa sustenta que ambos são empresários idôneos, que não há elementos que liguem diretamente os investigados à droga apreendida e que o processo corre sob segredo de justiça. Os defensores enfatizaram o princípio da presunção de inocência e informaram que já preparam recursos para reverter as medidas cautelares.
As investigações continuam para identificar outros possíveis ramais da organização criminosa que utilizava o Porto de Leixões como porta de entrada para o mercado europeu.




