Durante a cúpula do G7 em Evian, na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou repercussão internacional ao comentar a situação jurídica da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em uma entrevista coletiva à imprensa, Trump afirmou erroneamente que as autoridades brasileiras haviam prendido o “Bolsonaro Jr.”, alegando que a suposta prisão teria ocorrido por conta de “uma declaração no Texas”.
A fala do líder norte-americano gerou confusão, uma vez que ele misturou as situações de dois filhos de Jair Bolsonaro: Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
O contexto da confusão e a condenação real
O pano de fundo para a declaração de Trump foi a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. Eduardo, que atualmente vive no Texas (EUA), foi acusado de articular sanções internacionais contra o Judiciário brasileiro. No entanto, ele não foi preso, e a decisão ainda cabe recurso.
Ao comentar o caso, Trump misturou a condenação de Eduardo com o cenário político de Flávio Bolsonaro, que é o atual senador e pré-candidato do clã à Presidência da República — o que explica a menção de Trump de que o alvo “estava indo bem nas pesquisas”.
”Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas”, declarou Trump aos jornalistas.
Críticas ao Brasil e paralelo com os EUA
Além do equívoco sobre quem havia sido alvo das medidas judiciais, o presidente dos EUA aproveitou a oportunidade para tecer duras críticas ao ambiente institucional brasileiro e traçar paralelos com a política de seu próprio país.
- Cenário brasileiro: O presidente americano afirmou que o Brasil se tornou “complicado” e “politicamente perigoso”, descrevendo a atual conjuntura como “desagradável”.
- Sistema eleitoral: Ao argumentar que as autoridades brasileiras “jogam duro”, Trump emendou críticas ao sistema norte-americano. “Ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente manipuladas e fraudadas”, acusou o republicano.
Reunião de bastidores e a resposta de Lula
As declarações de Trump vieram logo após encontros bilaterais na cúpula francesa. Ele confirmou ter passado “bastante tempo” conversando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora o encontro tenha ocorrido em meio a um clima de tensão diplomática em razão de tarifas comerciais recentes e divergências sobre segurança internacional.
Lula, por sua vez, reagiu de forma direta aos comentários feitos pelo norte-americano à imprensa. O mandatário brasileiro afirmou que espera o cumprimento do código de ética e o respeito à soberania entre as nações, rechaçando qualquer interferência externa.
”Não se meta nas eleições do Brasil. Porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles, não meu. A única coisa que quero é respeito pelo Brasil”, respondeu Lula.
Até o momento, a defesa e os porta-vozes da família Bolsonaro não emitiram novas notas oficiais comentando a declaração do chefe de Estado americano.
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