O cenário político internacional foi sacudido por novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito do Brasil. Durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, o líder norte-americano afirmou ter passado “bastante tempo” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não poupou críticas e observações polêmicas sobre a realidade política brasileira, classificando o país como “um pouco complicado” e “politicamente perigoso”.
A fala de Trump ocorreu em uma entrevista coletiva, logo após os encontros de cúpula. Além de analisar o ambiente político no Brasil, o republicano cometeu uma gafe ao mencionar a situação jurídica da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerando uma resposta imediata de Lula, que pediu para o norte-americano “não se meter” nos assuntos internos do país.
As declarações de Trump e a confusão sobre os Bolsonaros
Ao responder jornalistas sobre os desdobramentos de suas interações com a comitiva brasileira, Trump comentou que o Brasil tem se mostrado um terreno hostil no xadrez político contemporâneo.
”O país se tornou um pouco conturbado politicamente, um pouco perigoso. Tem sido algo desagradável”, declarou o presidente dos EUA.
Logo em seguida, o republicano demonstrou confusão ao comentar notícias recentes da política nacional. Ele lamentou uma suposta prisão de “Bolsonaro Júnior”, associando o fato à corrida eleitoral brasileira de 2026. A declaração foi interpretada como uma alusão truncada à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo Eduardo Bolsonaro, embora o pré-candidato ao Planalto seja seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro.
Ainda na coletiva, Trump traçou um paralelo com a sua própria visão do sistema eleitoral americano: “Eles jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente manipuladas”.
A resposta de Lula: defesa da soberania e do sistema eleitoral
A reação do governo brasileiro não demorou. Também em coletiva de imprensa na França, o presidente Lula rebateu as falas do homólogo norte-americano, pontuando que o processo democrático e as disputas partidárias locais dizem respeito apenas aos brasileiros.
Lula enfatizou que o respeito à soberania das nações deve prevalecer e mandou um recado direto ao líder da Casa Branca:
”Ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro – do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil.”
O petista aproveitou a oportunidade para exaltar a confiabilidade do sistema de votação eletrônica do país, rebatendo as críticas de Trump às estruturas eleitorais de forma geral. “Se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas do Brasil é o meu amigo Trump”, completou o presidente brasileiro.
Tensões e a busca por cooperação bilateral
Apesar das farpas trocadas publicamente e do histórico recente de altos e baixos na diplomacia — que incluiu embates sobre o “tarifaço” de importações e a classificação de grupos criminosos —, o encontro no G7 também teve espaço para agendas de Estado.
Lula informou que formalizou e entregou documentos por escrito a Trump com propostas para ampliar o combate conjunto ao crime organizado global. A estratégia de formalizar os pedidos, segundo o presidente brasileiro, serve para garantir que as demandas de cooperação em segurança não se percam em discursos informais.
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