O governo do Chile, sob a gestão do presidente Gabriel Boric, e as principais centrais sindicais do país vizinho consolidam um cenário econômico que contraria antigos mitos do mercado corporativo. Com o avanço gradual da chamada “lei das 40 horas”, os empregados chilenos passaram a trabalhar menos horas por semana, registraram ganho real em seus salários e, paralelamente, viram a taxa de desemprego recuar para patamares historicamente baixos.
Sancionada originalmente em 2023, a legislação prevê a transição progressiva da jornada de trabalho de 45 para 40 horas semanais até 2028, sem que ocorra qualquer redução na remuneração nominal dos funcionários. A primeira etapa prática da redução entrou em vigor com sucesso, e os indicadores econômicos mais recentes apontam que a produtividade das empresas se manteve estável ou apresentou melhorias, impulsionada pelo maior bem-estar e saúde mental dos trabalhadores.
Os impactos no mercado e a realidade chilena
A medida implementada por Boric serve atualmente como o principal argumento global para defensores da redução de jornada em toda a América Latina, inclusive no Brasil, onde o debate sobre o fim de escalas exaustivas ganhou força no Congresso Nacional.
- Salários protegidos: A lei chilena proibiu expressamente o corte de salários e a alteração das horas de intervalo para compensar o tempo reduzido.
- Flexibilidade pactuada: A legislação abriu margem para modelos de trabalho de 4 dias por semana (escala 4×3), desde que acordado entre patrões e empregados.
- Fortalecimento econômico: Contrariando as projeções mais pessimistas de associações comerciais locais, que previam demissões em massa e falências de pequenas empresas, o mercado interno chileno se aqueceu, gerando novos postos de trabalho para cobrir as lacunas de horários e empurrando o desemprego para as mínimas históricas.
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