Escritório de Michel Temer negociou contrato de R$ 30 milhões para viabilizar venda do Banco Master ao BRB
O escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer (MDB) firmou negociações de um contrato milionário com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O acordo, avaliado em até R$ 30 milhões, tinha como objetivo intermediar ações jurídicas e contatos institucionais para viabilizar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
Trocas de mensagens revelaram que os acertos eram intermediados pelo publicitário Elsinho Mouco, interlocutor próximo de Temer. O contrato, formalizado em setembro de 2025, previa o pagamento inicial de R$ 10 milhões em honorários de contratação — divididos em duas parcelas de R$ 5 milhões —, além de um bônus de êxito de R$ 20 milhões condicionado ao sucesso da transação.
Impedimento do Banco Central e cobranças de pagamento
A operação de compra do Banco Master pelo BRB não se concretizou devido ao veto do Banco Central (BC). Apesar da inviabilidade do negócio, que impediu a quitação da taxa de sucesso de R$ 20 milhões, os honorários fixos de R$ 10 milhões continuaram sendo cobrados pela equipe de Temer.
Registros das conversas mostram cobranças frequentes feitas por Elsinho Mouco ao empresário ao longo de meses. Em novembro de 2025, poucos dias antes da prisão de Vorcaro em investigações desdobradas do setor financeiro, o publicitário confirmou o recebimento parcial dos valores ao enviar a mensagem: “Entrou a metade”.
Agendas no exterior e aproximação histórica
Além da representação em Brasília e perante órgãos de fiscalização, os diálogos expõem a participação direta de Michel Temer na organização de viagens institucionais e encontros com potenciais investidores em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A relação entre o ex-presidente e Daniel Vorcaro vinha desde 2023. Na ocasião, um fundo financeiro ligado à família do banqueiro destinou R$ 1 milhão para o patrocínio do filme autobiográfico do emedebista, intitulado “963 Dias”.
Procurados para comentar sobre as revelações das mensagens e os termos do contrato, nem Michel Temer nem Elsinho Mouco se manifestaram.
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