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Invasão silenciosa: mexilhão-dourado avança por rios brasileiros e ameaça setor elétrico e ecossistemas

Invasão silenciosa: mexilhão-dourado avança por rios brasileiros e ameaça setor elétrico e ecossistemas

​Trazido acidentalmente da Ásia nas últimas décadas, o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) transformou-se em uma das maiores dores de cabeça para pesquisadores, órgãos ambientais e o setor de infraestrutura no Brasil. O molusco bivalve de água doce, que encontrou no país condições ideais de proliferação, continua expandindo sua área de atuação de forma acelerada, com novos registros mapeados recentemente em bacias importantes das regiões amazônica e nordestina.

​O grande perigo associado à espécie exótica reside em sua altíssima capacidade reprodutiva e no comportamento de formação de colônias densas. Na fase larval, o organismo é microscópico e facilmente transportado pela correnteza ou pela água de lastro de embarcações. Ao atingirem a fase adulta, utilizam estruturas chamadas bissos para se fixar firmemente a qualquer superfície rígida submersa.

​Esse processo, conhecido como bioincrustação, gera impactos severos. Nas usinas hidrelétricas, as colônias se acumulam em tubulações, filtros, grades e sistemas de captação de água, provocando obstruções que exigem manutenções complexas e paralisações operacionais. Estudos recentes do setor elétrico apontam que o combate e a mitigação dos prejuízos causados pelo invasor custam quase US$ 10 milhões anualmente apenas às hidrelétricas brasileiras.

​Além do rombo financeiro na geração de energia, o mexilhão-dourado afeta sistemas de irrigação, estações de tratamento de água, a atividade pesqueira e a aquicultura. No âmbito ecológico, o molusco compete agressivamente por espaço e alimento com as espécies nativas, alterando drasticamente o equilíbrio das comunidades aquáticas locais.

​Diante do avanço geográfico contínuo do invasor — que já alcançou trechos de rios na Amazônia e bacias no Nordeste —, cientistas e órgãos de fiscalização reforçam que a erradicação total da espécie é improvável. Por isso, os esforços concentram-se em rigorosos protocolos de prevenção, monitoramento constante da água e no desenvolvimento de novas tecnologias de limpeza física, química e biológica para conter os prejuízos aos recursos hídricos e à economia nacional.


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