O mercado financeiro global e o cenário econômico brasileiro operam sob forte expectativa nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026. A divulgação de novos dados de emprego no Brasil, somada às sinalizações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos, dita o ritmo dos negócios no encerramento da semana.
Queda histórica no desemprego no Brasil
No front doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados mais recentes da Pnad Contínua, revelando que a taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio. Este é o menor nível histórico registrado para o período desde o início da série histórica em 2012.
A população ocupada avançou para 102,7 milhões de pessoas, impulsionada pela inserção de 558 mil trabalhadores no mercado no último trimestre móvel. O rendimento médio real do trabalhador brasileiro ficou estimado em R$ 3.726, o que representa uma estabilidade frente ao período anterior, mas um ganho real expressivo de 4% na comparação anual.
Alerta e cautela com o Fed nos Estados Unidos
Apesar do otimismo com a força da atividade econômica brasileira, o mercado internacional monitora com lupa os discursos de dirigentes do Fed — incluindo o novo presidente da instituição, Kevin Warsh, e o dirigente Neel Kashkari. A persistência da inflação americana (PCE), impulsionada pela volatilidade recente das commodities e pela economia aquecida, reacendeu o temor de que o banco central americano precise elevar os juros ainda em 2026, abandonando de vez as expectativas de cortes no curto prazo.
Atualmente, a taxa de referência dos EUA se mantém na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Declarações recentes sugerem que uma ala significativa do comitê de política monetária (Fomc) já enxerga espaço para ao menos um aumento residual nos juros até o fim do ano caso os preços não convirjam para a meta de 2%.
Repercussão nos mercados e outros indicadores
O cruzamento desses dados gerou volatilidade, mas também espaço para recuperação nos ativos brasileiros. Em Nova York, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) operam em patamares elevados, o que costuma pressionar moedas de países emergentes.
No entanto, o mercado financeiro local digeriu bem os indicadores:
- Ibovespa: O principal índice da bolsa brasileira registrou alta no pregão desta sexta-feira, rondando o patamar dos 173 mil pontos, consolidando uma recuperação semanal superior a 3% após semanas consecutivas no vermelho.
- Câmbio: O dólar comercial registrou leve queda de 0,20%, negociado na casa dos R$ 5,16, encontrando estabilidade em meio ao recuo nos preços internacionais do petróleo Brent.
Além do foco no emprego e nos juros globais, investidores também ajustam suas posições e mantêm a atenção voltada para o monitoramento de novas pesquisas de intenção de voto no cenário político nacional e dados consolidados da balança comercial americana.
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