Jaques Wagner e Banco Master acirram crise e põem liderança do governo Lula em xeque

​O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mergulhou em uma intensa movimentação de bastidores para conter os impactos políticos e jurídicos decorrentes da mais recente fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar agora tenta ajustar a narrativa política para justificar uma eventual saída da liderança partidária e busca um encontro direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

​A operação da PF colocou, pela primeira vez no âmbito do Caso Master, o núcleo de aliados íntimos do presidente da República sob a mira direta dos investigadores. Até então, os desdobramentos da investigação de fraudes bilionárias na instituição financeira haviam alcançado majoritariamente figuras ligadas à oposição, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

​De acordo com as investigações, a PF apura se Jaques Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas do grupo ligado ao Banco Master. Entre os benefícios suspeitos apontados pelas autoridades estão o uso gratuito de aeronaves, a estruturação de pagamentos e vantagens imobiliárias, incluindo um apartamento de alto padrão em construção na cidade de Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões. As conexões teriam como elo o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro (controlador do banco) e amigo próximo de Wagner. As mensagens obtidas pela polícia sugerem uma suposta atuação política do senador no Congresso Nacional em favor de interesses da instituição financeira.

​Diante do desgaste público e do avanço das investigações, Jaques Wagner tenta antecipar os danos à sua imagem pública e à própria estabilidade da base governista no Congresso. Conforme apurado pelos bastidores políticos, o senador trabalha para desenhar uma narrativa que lhe permita entregar o cargo de líder do governo sem que o gesto seja interpretado como uma assunção de culpa ou uma demissão sumária por parte do Palácio do Planalto. Em declarações públicas recentes, ele minimizou as suspeitas, alegando que sua atuação parlamentar seguiu as diretrizes do governo e que sua permanência no cargo depende exclusivamente do desejo do presidente.

​Para selar o destino de sua função e alinhar os próximos passos da crise, Jaques Wagner busca fechar uma agenda oficial e reservada com o presidente Lula. O encontro é tido como crucial para medir a temperatura do apoio do Executivo e definir o tom da defesa política do Palácio do Planalto diante de um escândalo que ameaça a agenda legislativa do governo no Senado Federal.


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