Juíza sul-africana Navi Pillay vence o Nobel da Paz 2026 por trajetória na defesa do direito internacional e dos direitos humanos
A jurista e ativista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, ressaltando o papel fundamental de Pillay no fortalecimento do sistema jurídico global, na prevenção de crimes de guerra e na defesa incondicional dos direitos humanos ao longo de mais de seis décadas de carreira.
Ao justificar a escolha, o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, destacou a “coragem e integridade excepcionais” da jurista. Segundo a instituição, Pillay desempenhou um papel divisor de águas ao estabelecer precedentes internacionais para que genocídios, crimes contra a humanidade e violações graves de direitos não fiquem impunes, reforçando que “uma paz duradoura deve ser construída sobre princípios jurídicos”.
De defensora no Apartheid às comissões da ONU
Nascida em Durban, na África do Sul, Navi Pillay foi a primeira mulher negra a abrir o próprio escritório de advocacia na província de Natal, em 1967, em pleno regime do Apartheid. Na época, atuou na defesa de presos políticos e manifestantes anti-segregação, incluindo prisioneiros da Ilha Robben, onde Nelson Mandela esteve detido. Com o fim do regime segregacionista, em 1995 ela foi nomeada por Mandela como a primeira mulher negra a integrar o Tribunal Superior da África do Sul.
Sua atuação internacional ganhou projeção quando assumiu a presidência do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), órgão criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 no país africano. Sob sua liderança, o tribunal definiu formalmente a violência sexual em tempos de guerra como um ato de genocídio e crime contra a humanidade. Mais tarde, exerceu o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (2008-2014) e integrou o Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia.
Investigação sobre Gaza e reações internacionais
Mais recentemente, Pillay presidiu a comissão independente de inquérito da ONU responsável por investigar as ações e condutas no conflito entre Israel e o Hamas. Em relatórios apresentados pela comissão, concluiu-se que autoridades e forças de Israel haviam cometido atos caracterizados como genocídio e violações do direito internacional na Faixa de Gaza — acusações que geraram forte repúdio por parte do governo em Tel Aviv, que classificou o parecer como escandaloso e criticou a decisão do comitê norueguês.
A láurea concede a Pillay uma medalha de ouro e a quantia de 12 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6 milhões). A cerimônia oficial de entrega do prêmio está agendada para o dia 10 de dezembro, em Oslo.
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