Ministério da Saúde e SUS iniciam oferta de nove medicamentos oncológicos para mais de 116 mil pacientes
BRASÍLIA — Em um avanço expressivo para a oncologia pública no Brasil, o Ministério da Saúde anunciou o início da oferta direta de nove medicamentos para o tratamento do câncer na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa faz parte do novo programa de Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco) e tem potencial para beneficiar mais de 116 mil pacientes em todo o país, contemplando 13 indicações terapêuticas.
A distribuição inicial é voltada a 20 centros especializados em saúde espalhados por 17 estados e pelo Distrito Federal, cobrindo todas as regiões do Brasil. O investimento anual previsto apenas para a aquisição desses nove fármacos é de R$ 155,4 milhões. A meta da pasta é expandir a distribuição para toda a rede credenciada e alcançar a disponibilização de 23 novos tratamentos ou ampliações de uso até o fim do ano.
Medicamentos incorporados e quem pode receber
Os tratamentos atendem pacientes com diagnósticos de tumores na mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide, além de neoplasias neuroendócrinas, linfomas e leucemia. O acesso é voltado aos pacientes que atendam a critérios clínicos específicos estabelecidos pelas diretrizes do SUS e mediante avaliação médica:
- Abemaciclibe: Indicado para o tratamento do câncer de mama precoce (com alto risco de recidiva) ou em estágios avançados/metastáticos. Trata-se de uma terapia-alvo de alto custo no mercado privado.
- Trastuzumabe: Já utilizado no tratamento do câncer de mama, teve o uso ampliado no SUS para casos de câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
- Abiraterona: Destinada a pacientes com câncer de próstata metastático ou resistente a tratamentos de hormonoterapia.
- Pazopanibe: Voltado para o tratamento do câncer de rim de células claras em estágio metastático.
- Sunitinibe: Indicado para câncer renal de células claras e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados ou metastáticos.
- Gefitinibe: Utilizado em primeira linha para tipos específicos de câncer de pulmão de não pequenas células.
- Rituximabe: Ampliado para novas indicações em tratamento de leucemia linfocítica crônica e diferentes tipos de linfoma.
- Acetato de lanreotida: Destinado ao controle de tumores neuroendócrinos.
- TSH recombinante (alfatirotropina): Indicado para apoiar a iodoterapia em pacientes com câncer de tireoide.
Gestão, controle e outras novidades no SUS
Além de fornecer as terapias oncológicas, a nova política estabeleceu mecanismos de acompanhamento digital para evitar desabastecimentos e padronizar o fluxo de entregas. Os remédios de valor elevado passarão por autorização prévia mediante checagem de dados clínicos dos pacientes, modelo similar ao adotado pelas operadoras de planos de saúde.
Em paralelo à oferta farmacêutica, o Ministério da Saúde anunciou ações para fortalecer o diagnóstico precoce:
- Rastreamento do câncer de intestino: A distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para triagem assintomática em pessoas entre 50 e 75 anos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
- Exames de precisão: Inclusão e financiamento ampliado para exames de biologia molecular, sequenciamento genético e biópsias.
- Cirurgias minimamente invasivas: Ampliação do suporte a procedimentos com vídeo e menores tempos de internação na rede pública.
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