Polêmica no Smart Sampa: prefeito diz que dados expostos eram isca, mas especialistas contestam estratégia
A revelação de falhas de segurança no programa Smart Sampa, que resultou na exposição de dados e no acesso indevido a mais de 58 mil câmeras de monitoramento espalhadas por São Paulo, continua gerando debates acalorados sobre a proteção de informações sensíveis na capital.
Questionado sobre o caso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) defendeu a integridade do sistema e alegou que deixar os dados em um repositório público funcionava como uma espécie de “isca”. O objetivo, segundo a defesa da gestão municipal, seria atrair possíveis invasores para conseguir identificá-los.
No entanto, a justificativa foi recebida com ceticismo pelo setor de tecnologia. Especialistas em cibersegurança apontam que expor credenciais de acesso e imagens de equipamentos públicos — incluindo unidades de saúde, escolas e ruas — de forma deliberada sem protocolos rígidos de isolamento não condiz com as práticas comuns de inteligência ou contrainteligência digital, colocando em risco a privacidade de milhões de cidadãos.
Enquanto a prefeitura sustenta que o episódio foi monitorado e atribui a responsabilidade a um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) — que acabou exonerado e agora responde a procedimentos na Corregedoria —, analistas reforçam que a exposição prolongada de falhas dessa magnitude evidencia vulnerabilidades graves nos processos de governança e fiscalização de dados do poder público.
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