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Polícia civil do Rio de Janeiro investiga lista com ofensas sexuais que expôs alunas do colégio Cruzeiro na internet

Polícia civil do Rio de Janeiro investiga lista com ofensas sexuais que expôs alunas do colégio Cruzeiro na internet

​Uma brincadeira inocente entre amigas na internet transformou-se em um pesadelo para dezenas de famílias no Rio de Janeiro. Ao buscar seu nome completo no Google, uma adolescente descobriu que ela e outras 64 estudantes do tradicional Colégio Cruzeiro, localizado em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, faziam parte de uma “tier list” (lista de classificação) com teor altamente misógino e sexualizado. O caso, revelado pela mãe de uma das vítimas, está sob forte investigação da Polícia Civil fluminense.

​De acordo com relatos de mães e responsáveis, a jovem estava com amigas quando decidiu pesquisar o próprio nome no buscador. Para a surpresa e indignação do grupo, o resultado indexado levou a uma plataforma digital onde as alunas eram classificadas em categorias ofensivas e vexatórias, tais como “GOAT” (termo em inglês para ‘melhor de todos os tempos’), “Comeria no lucro”, “Bêbado vai”, “Me arrependi depois” e “Nem olharia”.

​A mãe da estudante que localizou o conteúdo relatou o sentimento de incredulidade da filha diante da exposição. Segundo ela, embora sua filha esteja lidando com a situação de forma firme — fazendo questão de comparecer à delegacia para colaborar com a identificação dos culpados —, muitas outras meninas foram profundamente abaladas. Há relatos de alunas em estado de extrema vergonha e que, devido ao constrangimento, recusam-se a retornar às salas de aula.

​Investigação e desdobramentos legais

​O caso foi encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), que apura a autoria da lista. Como os principais suspeitos de terem criado e compartilhado o material também são menores de idade, eles deverão responder por atos infracionais análogos aos crimes de injúria e difamação, além de infrações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como submissão de adolescente a vexame ou constrangimento.

​Em posicionamento oficial, a direção do Colégio Cruzeiro informou que, assim que tomou conhecimento do fato, registrou um boletim de ocorrência e notificou a plataforma de veiculação exigindo a imediata retirada do conteúdo do ar, o que já foi cumprido. A instituição de ensino ressaltou ainda que está prestando total apoio psicológico e institucional às alunas e às suas respectivas famílias.

​Mães envolvidas no caso reforçam a importância da denúncia formal e da punição dos responsáveis, destacando o caráter pedagógico que as sanções devem ter para evitar que episódios de violência de gênero e cyberbullying continuem se repetindo nos ambientes escolares.


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