A Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini com o objetivo de desarticular um esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Entre os principais alvos da ofensiva estão o desembargador Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Castro, apontado como o provável intermediário das negociações criminosas.
Por determinação judicial, foram autorizadas medidas cautelares severas, que incluem o afastamento de magistrados e servidores públicos de suas funções, buscas e apreensões domiciliares e pessoais, além do bloqueio e da indisponibilidade de bens e valores pertencentes aos investigados. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações, que contaram com cruzamento de dados e quebras de sigilo promovidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o desembargador Dirceu dos Santos apresentou uma movimentação financeira considerada altamente incompatível com seus rendimentos oficiais. Nos últimos cinco anos, o magistrado movimentou mais de R$ 14,6 milhões, montante muito superior ao seu rendimento lícito declarado para o período, que foi de R$ 1,9 milhão. A análise fiscal também detectou variações patrimoniais a descoberto e o trânsito de mais de R$ 3,2 milhões em espécie por meio de saques e depósitos. Além disso, foram identificados repasses sem justificativa negocial vindos de empresas do agronegócio que possuíam processos tramitando no tribunal.
O deputado estadual Faissal Calil possui um histórico profissional diretamente ligado ao magistrado, tendo atuado como assessor técnico de projetos e acórdãos no gabinete de Dirceu dos Santos antes de ingressar na carreira política. Em declarações prestadas à imprensa local após o cumprimento dos mandados, o parlamentar afirmou que colaborou voluntariamente com a equipe policial, entregando seu aparelho celular e as respectivas senhas de acesso aos agentes federais. Calil declarou publicamente que, desde que deixou o Tribunal de Justiça para exercer o mandato no Legislativo, perdeu o contato com o magistrado investigado.
As defesas dos demais citados e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso ainda não haviam se manifestado oficialmente sobre o teor das investigações e as medidas constritivas executadas pela Polícia Federal. As investigações seguem em andamento para mapear a extensão do fluxo financeiro e identificar outros possíveis beneficiários ou intermediários do esquema.









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