O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação e dos desdobramentos de uma pesquisa do instituto AtlasIntel voltada para a corrida presidencial. A decisão atendeu a um pedido do Partido Liberal (PL) e da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, que questionou a metodologia e a neutralidade do levantamento.
A pesquisa em questão apontava uma queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em simulações de primeiro turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O recuo teria ocorrido após a repercussão pública de um áudio vazado em que o parlamentar pedia recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao acionar a Justiça Eleitoral, os advogados de Flávio Bolsonaro argumentaram que o questionário formulado pela AtlasIntel induziu uma percepção negativa sobre o pré-candidato. De acordo com a representação, o levantamento continha perguntas com termos de forte carga depreciativa, associando o nome do senador ao escândalo do Banco Master e utilizando expressões como “esquema de fraudes financeiras”. Além disso, a inserção do próprio arquivo de áudio dentro do teste foi apontada como um estímulo narrativo direcionado.
Em sua decisão preliminar, o ministro Nunes Marques destacou que há elementos consistentes indicando um possível comprometimento da neutralidade metodológica exigida em pesquisas eleitorais oficiais. O ministro ressaltou que as indagações pareciam extrapolar a mera medição da opinião pública, agindo como um mecanismo capaz de influenciar as respostas subsequentes dos eleitores sobre intenção de voto, rejeição e imagem do político. Nunes Marques estipulou ainda um prazo de dois dias para que o instituto apresente documentação técnica complementar e informou que o caso será submetido à análise do plenário da Corte eleitoral.
Por meio de nota oficial, a AtlasIntel informou que respeita a decisão do tribunal e manifestou confiança de que a legalidade e o rigor científico do estudo serão integralmente comprovados. O instituto esclareceu que os participantes foram expostos ao áudio para o registro de suas reações de forma voluntária e apenas após terem respondido ao formulário principal de intenções de voto, o que impossibilitaria qualquer tipo de manipulação ou indução nos resultados prévios. O CEO da empresa, Andrei Roman, reforçou que a instituição pauta sua atuação global pela imparcialidade e pela precisão técnica.









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