Política educacional de Tarcísio de Freitas enfoca plataformas e equipamentos e ignora gargalos da rede estadual, aponta Fernando Cássio
A condução da educação pública paulista sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas e de seu secretário da Educação, Renato Feder, tornou-se centro de intensos debates entre especialistas e entidades da categoria. A priorização de plataformas digitais obrigatórias, o preenchimento de fluxos burocráticos e a compra continuada de equipamentos tecnológicos têm sido colocados no topo das ações da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), em detrimento da resolução de problemas estruturais que afetam diretamente o aprendizado.
Em entrevista ao veículo Intercept Brasil, o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), Fernando Cássio, fez duras críticas ao modelo gerencial adotado pela atual administração. De acordo com o especialista, a rede estadual vem passando por um processo de “plataformização” que busca controlar a rotina de trabalho dos docentes, transformando a dinâmica pedagógica em uma sequência de metas computáveis em vez de focar na qualidade do ensino em sala de aula.
Entre as principais queixas levantadas por educadores e analistas do setor está a dependência de aplicativos, slides padronizados e a introdução de ferramentas de correção automatizada via inteligência artificial. Críticos argumentam que essa estratégia retira a autonomia do professor, engessa a metodologia de ensino e gera um acúmulo de tarefas administrativas que sobrecarregam as equipes escolares sem produzir evidências claras de avanço na aprendizagem.
Organizações como a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e a Udemo (Sindicato dos Diretores de Escola) também têm apontado gargalos operacionais no cotidiano das unidades, relatando desde a oscilação na infraestrutura básica da internet até a sobrecarga provocada pelas exigências de acessos diários ao sistema.
Por outro lado, a Seduc-SP defende que a tecnologia e a padronização de materiais servem como ferramentas de apoio e acompanhamento diagnostico do desempenho dos alunos. A pasta sustenta que o monitoramento constante por meio de plataformas atua no combate à evasão escolar e auxilia nas ações de busca ativa para manter o estudante presente e engajado no ambiente escolar.
O embate expõe visões opostas sobre a gestão educacional: de um lado, a aposta em métricas, tecnologia e gerencialismo corporativo; de outro, a cobrança por investimentos na valorização dos docentes, melhoria das condições físicas das escolas e no fortalecimento de projetos pedagógicos construídos a partir da realidade de cada comunidade.
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