Preso por violência doméstica, empresário Ivo Kos tentou incluir Banco Master em operação de R$ 130 milhões apurada por fraude na CVM
São Paulo — Preso preventivamente desde o dia 14 de agosto de 2026 sob acusação de ter agredido brutalmente a esposa, o empresário Ivo Kos, de 48 anos, tentou atrair o Banco Master para participar de uma grande operação financeira estimada em R$ 130 milhões. A negociação em questão acabou virando alvo de um processo administrativo instaurado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que apura suspeitas de fraude e desvios milionários de recursos no mercado de capitais.
Mensagens de texto trocadas entre Ivo Kos e executivos da securitizadora Virgo revelam que o empresário buscou a instituição financeira para distribuir os títulos de dívida (Certificados de Recebíveis Imobiliários – CRIs). Contudo, após avaliar os riscos elevados associados à transação, o Banco Master recusou a proposta e desistiu do negócio. Em uma das conversas datadas de maio do ano anterior, Kos chegou a registrar que o banco estava “saindo” das negociações.
Mapeamento dos riscos e comissões milionárias
As apurações e diálogos obtidos indicam que Kos tinha ciência do alto risco e de possíveis irregularidades envolvidas na estruturação do negócio. Em uma das mensagens, o empresário chegou a desabafar sobre o nível de exposição, afirmando que estava “tomando um risco mamute nisso” e que, por essa razão, exigiria “uma parte grande no fee“. O termo refere-se à comissão cobrada na originação da operação, que, de acordo com relatórios da CVM, poderia render taxas superiores a R$ 17 milhões à securitizadora Virgo.
A investigação da CVM identificou um esquema com movimentações circulares em que cerca de 40% dos valores contratados para financiamento sequer existiam no caixa. Além disso, a autarquia apontou o desvio e uso indevido de fundos de reserva da securitizadora para encobrir buracos financeiros nas captações.
Rejeição de acordos e desdobramentos criminais
Diante da gravidade das suspeitas levantadas e da atuação com dolo atribuída a Ivo Kos pela CVM, o órgão regulador rejeitou propostas de Termo de Compromisso (acordo) apresentadas pelos investigados, mantendo os processos de responsabilização administrativa em andamento. O caso também foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que apura os desdobramentos criminais e eventuais crimes contra o sistema financeiro nacional sob sigilo.
Paralelamente ao escândalo financeiro na Faria Lima, o empresário responde criminalmente por lesão corporal e ameaça contra a esposa no âmbito da violência doméstica. A Justiça manteve a prisão preventiva decretada contra Ivo Kos. As defesas do empresário e das demais empresas citadas não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
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