BRASÍLIA — O deputado federal e ex-promotor de Justiça Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa liderada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições de 2026, assumirá um papel de destaque no horário eleitoral gratuito e nos programas de rádio e TV. A estratégia do marketing da campanha prevê utilizar a trajetória do parlamentar para encabeçar o bloco de denúncias contra figuras ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre os principais alvos das inserções partidárias e eleitorais estarão Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente e conhecido como “Marcola”; e José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do chefe do Executivo.
Foco na CPMI do INSS e na segurança pública
Relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Alfredo Gaspar ganhou visibilidade nacional ao defender o indiciamento e a prisão de investigados no esquema de fraude e desvios de recursos em aposentadorias e pensões da Previdência Social. A intenção da marquetagem bolsonarista é utilizar os dados e conclusões da comissão parlamentar como uma espécie de “primeiro round” da ofensiva contra o PT.
Além dos ataques diretos às suspeitas de corrupção e tráfico de influência, a produção dos programas eleitorais pretende detalhar a biografia de Gaspar como promotor em Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública, conectando o discurso anticorrupção à pauta do combate ao crime organizado.
Divisão de papéis na chapa
A estratégia desenhada pela equipe de Flávio Bolsonaro prevê uma divisão clara de funções na corrida presidencial: enquanto Alfredo Gaspar assume uma postura incisiva e de enfrentamento direto contra os escândalos apontados pela oposição, Flávio focará na articulação política e na aproximação com o eleitorado de centro e independentes.
A indicação do deputado alagoano ocorreu após o PL não selar coligações formais com grandes siglas do Centrão, como Republicanos e PP, culminando na formação de uma chapa “puro-sangue”. Ao apresentar Gaspar como seu vice, Flávio Bolsonaro referiu-se ao aliado como o “terror do Lulinha”, sinalizando que o tema do escândalo do INSS será uma das principais bandeiras de sua campanha ao Palácio do Planalto.
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