A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, subiu o tom contra o jornal Folha de S.Paulo nesta semana, após a publicação de editoriais que classificam a política econômica do governo federal como um “fracasso alarmante”. Gleisi utilizou suas redes sociais e canais oficiais para denunciar o que chamou de “terrorismo fiscal”, acusando o veículo de atuar em favor dos interesses do mercado financeiro em detrimento do bem-estar social.
A reação da parlamentar ocorre em um momento de crescente tensão entre o Palácio do Planalto e setores da imprensa tradicional. No último dia 20 de abril de 2026, a Folha publicou um texto crítico apontando que a trajetória da dívida pública — que pode atingir 86% do PIB em 2027 — indica uma deterioração grave da confiança econômica.
Os principais pontos do embate
- Acusações de Gleisi: A deputada argumenta que o verdadeiro “descontrole” na economia não reside nos gastos governamentais, mas sim nas taxas de juros mantidas pelo Banco Central. Segundo ela, o discurso de austeridade serve para “garantir o lucro de bancos” enquanto tenta paralisar investimentos públicos essenciais.
- Posicionamento da Folha: O jornal sustenta que o atual arcabouço fiscal caiu em descrédito e que o governo Lula apresenta cenários “irrealistas” no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para os próximos anos.
- O fator Juros: Gleisi reafirmou que o aumento da dívida pública é impulsionado pela Selic elevada, e não pelas despesas primárias (saúde, educação e programas sociais), as quais defende serem o motor do crescimento.
Contexto econômico em 2026
O governo enfrenta um congresso dividido e a pressão por revisões drásticas nos gastos para cumprir as metas fiscais. Enquanto o Ministério da Fazenda tenta equilibrar as contas, a ala política do PT, liderada por Gleisi, reforça a narrativa de que o país está sendo alvo de uma “campanha de medo” orquestrada por setores que se beneficiam do rentismo.
“A Folha mostra de que lado está: do lado do capital financeiro e contra o povo brasileiro. Falam em ‘abismo’ enquanto os indicadores sociais melhoram”, disparou a parlamentar em nota recente.
A disputa narrativa entre o governo e a mídia impressa deve se intensificar nos próximos meses, especialmente com a proximidade dos debates sobre o orçamento de 2027 e o sucessivo monitoramento do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia brasileira.




