Preá-de-Moleques-do-Sul e IMA buscam proteger mamífero mais raro do mundo em SC

O arquipélago de Moleques do Sul, localizado a cerca de 8 quilômetros da costa de Florianópolis, abriga um dos maiores tesouros biológicos do planeta: o Cavia intermedia. Conhecido popularmente como preá-de-Moleques-do-Sul, este roedor detém o título de mamífero com a menor distribuição geográfica do mundo, vivendo em uma área de apenas 10 hectares (o equivalente a 10 campos de futebol).
De acordo com atualizações recentes de órgãos ambientais e pesquisadores em 2026, a situação da espécie permanece crítica. A população estimada oscila entre 40 e 60 indivíduos, um número extremamente baixo que coloca o animal no topo da lista de espécies ameaçadas de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Isolamento e sobrevivência

A espécie se diferenciou de seus parentes continentais após o aumento do nível do mar, que isolou a ilha há aproximadamente 8 mil anos. Sem predadores naturais significativos e adaptado a uma dieta exclusiva de gramíneas locais, o preá desenvolveu características únicas, como:

  • Porte físico: Cerca de 25 centímetros de comprimento e peso médio de 600 gramas.
  • Camuflagem: Pelagem em tons de cinza e marrom para se esconder na vegetação.
  • Ciclo de vida: Uma expectativa de vida curta, de aproximadamente 400 dias.

Desafios e proteção ambiental

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), em conjunto com a Polícia Militar Ambiental e pesquisadores, intensificou o monitoramento da área, que faz parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. O acesso à ilha é estritamente proibido ao público, sendo permitido apenas para expedições científicas autorizadas.
As principais ameaças que mantêm os biólogos em alerta incluem:

  1. Presença humana ilegal: O desembarque de turistas pode introduzir patógenos ou causar incêndios acidentais.
  2. Espécies invasoras: A introdução acidental de ratos ou gatos domésticos seria catastrófica para a população reduzida.
  3. Mudanças climáticas: O aumento do nível do mar e eventos climáticos extremos podem reduzir ainda mais o habitat limitado da espécie.

“Se essa espécie se extinguir, não haverá possibilidade de recuperação. É uma perda definitiva para a biodiversidade global”, alertam especialistas envolvidos no Plano de Ação Nacional para a Conservação da Espécie.

Atualmente, o uso de câmeras de monitoramento remoto e fiscalização constante pela Marinha do Brasil são as principais ferramentas para garantir que o preá-de-Moleques-do-Sul continue a existir em seu minúsculo reduto catarinense.

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