Ratinho Junior sob pressão: as polêmicas da privatização da Copel, o embate com pedagogos e as conexões com o Banco Master

CURITIBA – O governo de Ratinho Junior (PSD) enfrenta uma densa nuvem de questionamentos que vai além das verbas publicitárias. O centro das críticas, vocalizadas principalmente pela oposição liderada por Requião Filho (PDT), recai sobre decisões estruturais no patrimônio público, a gestão da educação estadual e relações financeiras que levantam suspeitas sobre o uso da máquina pública.

A privatização da Copel e o fator Banco Master

A transformação da Copel em uma “corporation” (privatização via oferta de ações) permanece como o ponto de maior atrito. Recentemente, novas camadas de investigação surgiram em torno do papel do Banco Master no cenário econômico do Paraná.

  • Investimentos Suspeitos: Documentos e denúncias levadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas (TCE-PR) questionam a relação entre o fundo de previdência dos servidores estaduais e ativos ligados ao Banco Master.
  • Conflito de Interesses: A oposição aponta que instituições financeiras que lucraram ou operaram na desestatização da Copel possuem laços que precisariam de maior transparência, sugerindo que o patrimônio dos paranaenses foi entregue a grupos específicos em condições desfavoráveis ao Estado.

Crise na Educação: o “viva-voz” dos pedagogos

No campo social, a gestão Ratinho Junior trava uma batalha silenciosa, mas feroz, com os profissionais da educação. O foco recente são os pedagogos da rede estadual.

  • Sobrecarga e Controle: Sindicatos denunciam um modelo de gestão “plataformizado”, onde o foco na tecnologia e em metas de aplicativos estaria sufocando a autonomia pedagógica.
  • Terceirização e Precarização: A expansão do modelo de escolas parceiras e a pressão sobre os pedagogos para atuarem como gestores de índices, em detrimento do apoio psicopedagógico aos alunos, gerou uma onda de protestos que a oposição utiliza para classificar o governo como “inimigo do servidor público”.

O Silêncio no Centro do Tabuleiro

O ex-governador Roberto Requião reforça que esses temas são “minas terrestres” que os outros pré-candidatos se recusam a pisar.

“Falar da Copel é mexer com o bolso de gente muito poderosa. Falar do Banco Master é entrar no coração do sistema financeiro que financia campanhas. Por isso, o silêncio deles é um certificado de compromisso com o sistema, não com o povo”, disparou Requião em suas redes sociais.

Resposta do Governo

Em notas anteriores, a administração estadual reiterou que:

  1. A privatização da Copel seguiu todos os ritos da CVM e gerou recursos bilionários para investimento em infraestrutura.
  2. A relação com instituições financeiras é pautada por critérios técnicos de rentabilidade e risco.
  3. A modernização da educação (via plataformas) colocou o Paraná no topo do IDEB, sendo um modelo de sucesso reconhecido nacionalmente.
    A tensão política promete aumentar à medida que os órgãos de controle analisam as representações protocoladas pela oposição sobre esses contratos e parcerias.

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