Uma nova rodada de pesquisas conduzida pelo instituto Meio/Ideia trouxe um dado que altera o termômetro político na região Sul do Brasil: a aprovação e a intenção de voto no presidente Lula atingiram o patamar dos 40%. O índice é considerado um marco para o governo federal em um reduto historicamente alinhado ao conservadorismo e à oposição bolsonarista.
No Paraná, o reflexo desse crescimento foi imediato, acendendo o sinal verde para as lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados. A presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann, e o deputado estadual Requião Filho surgem como os principais articuladores para capitalizar esse avanço com vistas aos próximos pleitos.
O cenário no Paraná e a reorganização da esquerda
A subida de Lula nos estados do Sul sugere uma mudança na percepção do eleitorado sobre as políticas econômicas e sociais do governo. Para analistas locais, o Paraná deixa de ser um “terreno árido” para o petismo e passa a ser um campo de disputa real.
- Gleisi Hoffmann: Com o fortalecimento da imagem de Lula, a deputada ganha fôlego para consolidar sua influência na federação e pavimentar candidaturas majoritárias no estado.
- Requião Filho: O parlamentar tem buscado uma postura de oposição combativa ao governo estadual de Ratinho Júnior, e os novos números do Meio/Ideia validam seu discurso de alinhamento com a agenda federal para atrair o eleitorado paranaense.
Por que o Sul está mudando?
De acordo com os dados coletados e as movimentações recentes de mercado, alguns fatores explicam essa “quebra de resistência”:
- Programas de Infraestrutura: O anúncio de investimentos do novo PAC em rodovias e ferrovias paranaenses tem gerado uma percepção positiva.
- Agronegócio e Exportação: Apesar das tensões ideológicas, os recordes na balança comercial e o acesso a novos mercados externos suavizaram a crítica de setores produtivos.
- Controle Inflacionário: A estabilização dos preços de alimentos básicos impactou diretamente o poder de compra nas capitais do Sul, onde o custo de vida é tradicionalmente elevado.
Perspectivas para 2026
A marca dos 40% é vista por Gleisi e Requião Filho não apenas como um número, mas como um ponto de inflexão. A estratégia agora é converter essa aprovação em uma base sólida para enfrentar a hegemonia da direita no Paraná.
O desafio, contudo, permanece: romper a bolha nos municípios do interior, onde o agronegócio mais radicalizado ainda mantém forte resistência ao Palácio do Planalto. O “farol aceso” mencionado pelos articuladores indica que o trabalho de base será intensificado, focando em entregas regionais para manter a curva de crescimento ascendente.




