O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, desembarcou em Curitiba nesta semana com uma missão clara: levar o governo Lula para as ruas e consolidar o apoio popular ao fim da escala de trabalho 6×1. A agenda na capital paranaense faz parte de uma ofensiva nacional para acelerar a tramitação de propostas que visam extinguir a jornada que permite apenas um dia de folga semanal, tema que se tornou prioridade absoluta no Palácio do Planalto neste primeiro semestre de 2026.
Mobilização nas ruas e pressão no congresso
Durante o ato, Boulos enfatizou que a mudança na jornada de trabalho não é apenas uma questão laboral, mas de “saúde pública e dignidade familiar”. O ministro defendeu que o modelo atual é anacrônico e citou que o governo trabalha com a meta de aprovar a nova regulamentação até agosto deste ano.
“Defender a família é defender o fim da escala 6×1. É garantir que o pai e a mãe tenham tempo para ficar com seus filhos, para o lazer e para o descanso”, afirmou Boulos durante a mobilização.
A estratégia de “botar o governo na rua” visa contrapor a resistência de setores da oposição e de entidades patronais no Congresso Nacional. O ministro rebateu críticas sobre possíveis impactos econômicos, utilizando dados do Ipea que sugerem que a redução da jornada pode, na verdade, elevar a produtividade e estimular o consumo nos setores de lazer e serviços.
O cenário atual da proposta
A discussão ganhou tração com a PEC 221/19 (conhecida como PEC da Vida Digna), que agora conta com uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados. Entre as novidades mais recentes colhidas no cenário legislativo, destacam-se:
- Urgência na Votação: O governo federal enviou um projeto de lei com regime de urgência para tramitar paralelamente à PEC, buscando uma solução mais célere.
- Audiências Públicas: Estão previstas participações de lideranças como Erika Hilton e representantes do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), fundado por Rick Azevedo, para dar sustentação técnica à proposta.
- Modelo 5×2: O foco principal é a transição para o modelo 5×2, garantindo ao menos dois dias de descanso sem redução salarial.
Desafios e próximos passos
Apesar do otimismo do governo, a batalha em Brasília promete ser intensa. Parlamentares ligados ao setor produtivo argumentam sobre o aumento de custos operacionais, especialmente no comércio e na indústria.
Para Boulos e o governo Lula, Curitiba serve como um termômetro importante. Ao mobilizar uma capital do Sul, o governo tenta demonstrar que a pauta do fim da escala 6×1 rompe bolhas ideológicas e atende a um anseio direto de 80% da população trabalhadora, independentemente da região ou preferência partidária.
A expectativa é que, nas próximas semanas, o texto avance para o plenário da Câmara, sob a pressão constante das mobilizações de rua coordenadas pela Secretaria-Geral.




