SÃO LUÍS – A Justiça do Maranhão decretou, nesta quinta-feira (7), a prisão preventiva da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, suspeita de torturar e agredir brutalmente uma empregada doméstica de 19 anos, que está grávida de cinco meses. O caso, que gerou indignação nacional, ocorreu no município de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, após a patroa acusar a funcionária de ter furtado um anel.
As investigações ganharam contornos dramáticos após o vazamento de áudios em que a própria empresária confessa o crime com detalhes de crueldade. Nas gravações, Carolina descreve que a sessão de violência durou cerca de uma hora e contou com a participação de um cúmplice armado. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou a investigada nas mensagens enviadas em um grupo.
O “Massacre” e a Defesa do Bebê
Em depoimento à Polícia Civil, a vítima relatou que foi derrubada no chão, sofreu puxões de cabelo, socos e murros. A jovem declarou que, durante todo o tempo em que esteve sob ataque, tentou proteger o ventre para que os golpes não atingissem o bebê. Mesmo após o objeto supostamente furtado ter sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram. Carolina Sthela chegou a dizer nos áudios que a vítima “não era para ter saído viva”.
Afastamento de Policiais e Prisão
Um desdobramento grave do caso envolve a conduta da Polícia Militar. Segundo a suspeita relatou em seus áudios, agentes foram até a residência no dia do crime, mas não a conduziram à delegacia porque um deles a conhecia. Diante dessas evidências, a Polícia Civil confirmou que quatro policiais militares foram afastados de suas funções e estão sob investigação da corregedoria.
Nesta quinta-feira, após o pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA), que classificou o crime como tortura, a prisão preventiva de Carolina foi expedida. A defesa da empresária informou que ela pretende se apresentar voluntariamente às autoridades ainda hoje.
Histórico de Acusações
Esta não é a primeira vez que a empresária se envolve em casos similares. Em 2024, Carolina Sthela foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A vítima atual permanece sob acompanhamento de equipes do governo estadual para assistência médica e psicossocial.
A Polícia Civil do Maranhão segue em diligências para localizar a suspeita e identificar o homem armado que teria participado da sessão de tortura.




