Brasil e EUA selam parceria estratégica para combate ao crime organizado transnacional


O governo brasileiro, representado pelo ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, formalizou um acordo de cooperação mútua com os Estados Unidos para intensificar o combate ao crime organizado, com foco especial no tráfico internacional de armas e drogas. O anúncio, realizado em Brasília, detalha uma série de operações conjuntas e trocas de informações de inteligência entre a Receita Federal do Brasil e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP).
A iniciativa, denominada “Ação Brasil-EUA contra o crime organizado”, é considerada o primeiro desdobramento prático de alto nível após o diálogo estabelecido entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo Durigan, o objetivo central é desarticular a logística financeira e o fluxo de mercadorias ilícitas que alimentam facções criminosas nos dois países.

Vigilância tecnológica e fluxo contínuo de dados

Um dos pilares do acordo é a implementação do programa remote targeting (monitoramento remoto). Essa tecnologia permitirá que autoridades brasileiras e norte-americanas monitorem contêineres e cargas de forma digital e em fluxo contínuo, sem a necessidade imediata de deslocamento físico. Através do cruzamento de imagens de escâneres e dados de inteligência, será possível identificar armamentos, peças de armas e entorpecentes antes mesmo de chegarem ao destino final.
Robinson Sakiyama, secretário especial da Receita Federal, destacou a eficiência do trabalho conjunto ao revelar dados recentes: apenas nos primeiros três meses de 2026, as autoridades brasileiras apreenderam mais de 1,5 tonelada de drogas sintéticas e haxixe vindas dos EUA, além de mais de 1,1 mil armas e peças de armamentos nos últimos 12 meses.

Geopolítica e soberania

O anúncio ocorre em um momento de pressão diplomática, em que Washington avalia a possibilidade de classificar facções brasileiras, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), como organizações terroristas. Embora o governo Lula resista a essa classificação, Durigan afirmou que o novo acordo demonstra o compromisso do Brasil em enfrentar o crime de maneira enérgica e técnica, preservando a soberania nacional e o controle sobre sua política interna.
A parceria também se insere no contexto da iniciativa norte-americana “Escudo das Américas”, que busca reforçar a segurança nas fronteiras do continente. Para o Ministério da Fazenda, a cooperação integrada e o intercâmbio de inteligência financeira são as armas mais eficazes para asfixiar o poder econômico das máfias transnacionais e garantir a segurança pública de forma duradoura.

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